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Curso Gênero em Foco qualifica profissionais para atendimento a mulheres indígenas em Manaus

14 de julho de 2026
Curso Gênero em Foco qualifica profissionais para atendimento a mulheres indígenas em Manaus
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Formação reuniu 22 profissionais para debater comunicação, escuta e protagonismo das mulheres indígenas.

Na manhã desta terça-feira (14/7), a Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (Ejud/TJAM) realizou o último encontro do curso Gênero em Foco – População Indígena na sala de aula da Ejud, no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro Aleixo, zona centro-sul de Manaus. A atividade reuniu 22 profissionais, entre assistentes sociais, advogados, advogadas e integrantes da rede de proteção e acolhimento à mulher indígena, para discutir estratégias de comunicação, escuta qualificada e protagonismo feminino no enfrentamento à violência doméstica.

Formação e participantes

A formação foi ministrada por Artemísia do Vale, advogada Sateré-Mawé; Viviane Verçosa, psicóloga da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); e Claudia Baré, professora e fundadora do Espaço Cultural Indígena Wakenai Anumarehit, localizado no Parque das Tribos. O curso teve aulas presenciais e online.

Durante o encontro foram abordados temas como a perspectiva descolonial no atendimento às mulheres indígenas, a desconstrução da ideia de que a violência de gênero seja um aspecto cultural e a necessidade de capacitação contínua dos profissionais para uma escuta qualificada e para a comunicação intercultural.

Posições dos palestrantes

Segundo Viviane Verçosa, a violência contra a mulher indígena deve ser compreendida e enfrentada por todas as instituições, da saúde, da educação e do sistema de Justiça. “Violência é violência em qualquer lugar, em qualquer população, em qualquer povo, em qualquer forma de existência. Essa discussão se dá a partir de algumas pessoas, mulheres indígenas, profissionais que atuam e já atuaram na saúde indígena e a gente precisa estar preparado porque a violência existe”, afirmou a psicóloga.

Para Artemísia do Vale, a construção de estratégias passa pela participação direta das mulheres indígenas e pelo reconhecimento de seus saberes. “As camadas de violência da mulher indígena vão além das camadas de violência da mulher branca. Elas também enfrentam a violência racial, a dificuldade de não falar o mesmo idioma e ter realmente uma escuta qualificada. E tudo isso a gente só consegue compreender quando temos um diálogo diretamente com as pessoas de dentro das comunidades”, disse a advogada.

Claudia Baré ressaltou a importância de ouvir as mulheres indígenas e de criar espaços para que compartilhem vivências ao lado dos profissionais, o que, segundo ela, torna mais efetivas as ações de enfrentamento à violência. “Vale ressaltar que a violência, ela não é cultura, não é cultura jamais. A gente sabe que nós temos ‘parentas’ que até hoje vivem violentadas, então, vamos fazer a nossa parte… Estamos aqui hoje para fazer a nossa parte como uma ferramenta de repassar esse conhecimento, nós como mulheres indígenas, contra a violência doméstica”, afirmou a professora.

Conteúdo do curso

O curso “Gênero em Foco – População Indígena” começou em maio e teve cinco encontros, com atividades presenciais e online. Entre os temas tratados ao longo da formação estiveram: violência de gênero no contexto das mulheres indígenas, construção de planos de segurança, envelhecimento, uso abusivo de substâncias e outros assuntos voltados ao fortalecimento da rede de proteção e à promoção de um atendimento humanizado.

#PraTodosVerem: A fotografia que ilustra a matéria mostra a professora Claudia Baré, de cabelos longos pretos e óculos, falando em pé para os participantes sentados em cadeiras e gesticulando com as mãos. Ela usa camiseta branca e pulseiras com grafismos indígenas. À sua frente, sobre uma mesa, há um notebook conectado a um projetor ligado. O ambiente possui grandes janelas, estantes com livros e iluminação interna.

Texto: Nicolle Brito | Ejud
Foto: Raphael Alves | TJAM

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