Evento reúne representantes do Judiciário para debater sustentabilidade, mudanças climáticas e preservação da Amazônia.
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) participou, nesta quinta-feira (8/10), da abertura do V Encontro de Sustentabilidade do Poder Judiciário – Rede Norte/CNJ, promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11.ª Região (TRT-11) em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O encontro, com duração de dois dias, teve início no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, em Manaus, e reuniu magistrados, servidores, gestores e especialistas para discutir sustentabilidade, mudanças climáticas e desafios da preservação da Amazônia.
Representação do TJAM e mensagens iniciais
Representando o TJAM, a desembargadora Luiza Cristina Marques destacou as iniciativas do CNJ na área de sustentabilidade e ressaltou a atuação do Judiciário amazonense. Ela afirmou: “É fundamental o trabalho que o CNJ vem desenvolvendo em várias áreas, especialmente na sustentabilidade, que também é muito bem representada no Tribunal de Justiça do Amazonas pelo desembargador Délcio Santos, que preside o Subcomitê de Sustentabilidade da Corte. Esse trabalho não busca apenas a economia e o uso responsável dos nossos recursos internos, mas tem uma visão mais ampla, que considera os impactos ambientais e sociais das nossas ações e busca tornar a atuação do Judiciário cada vez mais responsável e eficiente”.
Também participaram da abertura o juiz Antônio Itamar Gonzaga, titular da 13.ª Vara do Juizado Especial Cível e membro do Subcomitê de Logística Sustentável do TJAM, e a diretora da Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade (DVIAS/TJAM), Monike Antony. A sessão foi conduzida pelo presidente do TRT-11 e conselheiro representante da Região Norte no Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes.
Ao saudar os participantes, o magistrado ressaltou a necessidade de discutir sustentabilidade a partir da realidade amazônica, marcada pelas grandes distâncias, pela presença dos rios e pelas particularidades de acesso aos serviços públicos. Segundo ele: “Poucos lugares poderiam ser tão apropriados para discutir sustentabilidade quanto a Amazônia. Aqui, sustentabilidade não é apenas uma palavra presente nos documentos administrativos. É uma realidade que está diante dos nossos olhos, na floresta que nos cerca, nos rios que fazem parte da nossa vida, na extraordinária biodiversidade da região e, principalmente, nas pessoas que vivem na Amazônia. Falar de sustentabilidade no Poder Judiciário significa também construir uma Justiça capaz de compreender o território em que está inserida, que preserve recursos, encurte distâncias e seja ambientalmente responsável e socialmente inclusiva”.
A presidente do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), desembargadora Maria do Carmo Cardoso, destacou a importância da integração e do compartilhamento de experiências entre tribunais para avançar nas políticas de sustentabilidade. Ela apontou a criação de uma rede de governança e sustentabilidade para aproximar iniciativas, estabelecer objetivos comuns e fortalecer a atuação conjunta entre as instituições. Conforme a magistrada: “A sustentabilidade não pode repousar em esforços isolados. Ela requer coordenação, diálogo institucional e responsabilidade compartilhada. É importante fortalecer essa rede e manter as mãos dadas para que, juntos, possamos avançar nesse tema. Precisamos ampliar o uso de fontes renovaveis de energia, aprofundar a governanca climatica e assegurar que as politicas de sustentabilidade alcancem cada unidade judiciaria, das capitais aos municipios mais distantes”.
Programação e temas abordados
A programação incluiu o painel “Riscos de Tipping Point da Amazônia: A Urgente Necessidade de Soluções Baseadas na Natureza”, ministrado pela bióloga e pesquisadora Julia Arieira. Durante a apresentação, ela abordou biodiversidade, conservação da floresta, proteção da fauna e da flora e valorização dos povos indígenas e das comunidades locais.
O painel também contou com participação em vídeo do professor doutor Carlos Nobre, que tratou dos impactos das mudanças climáticas na região amazônica e ressaltou a importância de ações voltadas à conservação da floresta e à redução dos impactos ambientais.
Próximas atividades
O V Encontro de Sustentabilidade do Poder Judiciário – Rede Norte/CNJ prossegue nesta sexta-feira (9/10), a partir das 8h, no Uiara Amazon Resort, com atividades de imersão na realidade amazônica e debates sobre soluções colaborativas para os desafios ambientais da região.
Carlos Eduardo Rocha
Fotos: Marcus Phillipe
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