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Familiares e parlamentares pedem políticas públicas contínuas para autismo na adolescência e vida adulta

30 de junho de 2026
Familiares e parlamentares pedem políticas públicas contínuas para autismo na adolescência e vida adulta
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Seminário na Câmara dos Deputados reuniu familiares, ativistas e parlamentares para discutir políticas contínuas para pessoas com autismo.

Participantes reivindicaram políticas públicas de suporte a pessoas com autismo por toda a vida durante seminário sobre autismo e famílias atípicas na Câmara dos Deputados em 30/06/2026 – 17:35. Familiares e representantes de organizações relataram que o atendimento oferecido pelos órgãos públicos costuma encerrar na transição para a adolescência e pediram ações imediatas para garantir continuidade.

Autonomia e continuidade do atendimento

De acordo com Dulcelene Cidreira, mãe de pessoa autista com elevada necessidade de apoio, o serviço público deixa de acompanhar quando a pessoa chega à adolescência. “O meu filho tem 14 anos. Diante da sociedade, ele é um homem, mas é um homem com uma mentalidade de criança. Hoje a sociedade não vê mais as crises dele como birra, mas sim como uma ameaça”, afirmou. Ela acrescentou que veio ao debate para pedir “política para adolescente autista, CAPS com terapia e acolhimento que não para quando a criança completa 12 anos, porque, na maioria dos lugares, quando a criança completa 12 anos, é como se o autismo tivesse sido curado”.

Organizações e lacunas no suporte

Flavia Poppe, criadora da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, explicou que a instituição foi criada para suprir a lacuna de suporte do Estado a pessoas adultas com autismo. “O instituto nasceu da angústia de, quando termina a fase escolar, nós não vermos nada. No momento em que, na vida de um jovem, o horizonte se expande e a gente pensa no futuro e faz projetos de vida, para um jovem autista a porta se fecha”, disse, e defendeu a revisão de políticas para promover independência.

Moradias adequadas

A ativista apontou que a falta de moradias adequadas é uma das principais barreiras à autonomia de pessoas neurodivergentes. Segundo ela, o Sistema Único de Assistência Social (Suas) conta com 275 residências, cada uma com capacidade para abrigar dez pessoas, totalizando 2.750 vagas. Poppe lembrou ainda que o último censo do IBGE, de 2022, apontou 2,8 milhões de pessoas com transtornos mentais no país.

Grupo de trabalho e acompanhamento

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que organizou o debate, adiantou que vai sugerir ao governo a criação de um grupo de trabalho para estudar e propor políticas públicas para adolescentes e jovens com autismo. “Eu vou determinar à minha equipe para a gente acompanhar e cobrar permanentemente a implementação do programa Viver sem Limites e as diretivas também do Ministério da Saúde, que nada mais são do que o cumprimento de uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional”, afirmou Rollemberg.

Dificuldades no diagnóstico

De acordo com Flavia Poppe, as dificuldades começam antes da adolescência. Ela afirmou que a avaliação biopsicossocial, prevista em lei para diagnosticar deficiência, segue como “uma enorme dívida” do governo; sem diagnóstico, a pessoa fica sem acesso a serviços. A advogada especialista em direito à saúde Juliana Rodrigues relatou que, no Distrito Federal, a Justiça aceita somente laudo fornecido por médico do sistema público. Segundo a especialista, a fila para consulta com um neuropediatra pode passar de dois anos.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub

Assuntos nesse artigo:
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