Sessão solene na Câmara Legislativa do DF reuniu lideranças, artistas e ativistas para homenagear quem atua na defesa dos direitos LGBTI+.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal promoveu, nesta sexta-feira (26), sessão solene em homenagem ao Mês do Orgulho LGBTI+, com o tema “Orgulho LGBTI+ transformando a História no Distrito Federal”. A cerimônia, realizada na CLDF, reuniu lideranças políticas, artistas e ativistas e incluiu a entrega de moções de louvor a pessoas que se destacaram na defesa e promoção dos direitos LGBTI+ em Brasília.
Iniciativa e representatividade
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, Fábio Felix (Psol), foi o autor da iniciativa. Felix ressaltou a importância da representatividade na defesa das pautas da causa LGBTI+. Segundo ele, foi o primeiro parlamentar assumidamente gay na CLDF e o deputado distrital mais bem votado da história do DF. “Quando ocupamos esses espaços a gente dá um recado de que queremos estar em todos os lugares e que para o armário a gente não vai voltar mais”, afirmou.
Felix citou como exemplo de avanço a aprovação na CLDF da lei de sua autoria que proíbe a prática de terapias de conversão, popularmente conhecidas como “cura gay”. “Quando a gente convence os inimigos políticos, a gente mostra que conseguiu um feito, a gente conseguiu fazer a diferença”, reforçou.
Declarações de parlamentares e ativistas
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a representatividade LGBTI+ é fundamental para a democracia, a liberdade e a cidadania. Ela disse: “É em nome do amor, do afeto, da liberdade e dos direitos que estamos nesta Casa, mais uma vez, comemorando o Dia do Orgulho [LGBTI+] e homenageando quem constrói, em vários espaços, os direitos a serem assegurados a todas as pessoas”.
A produtora cultural e artista da cena ballroom, Gabrielle Paju, defendeu que a garantia de direitos às pessoas historicamente excluídas fortalece a democracia. “Uma democracia verdadeiramente forte é aquela em que a população mais vulnerabilizada não é apenas objeto de políticas públicas, mas protagonista dessa construção”, ressaltou.
A coordenadora da Comissão dos Direitos Humanos da CLDF, Keka Bagno, afirmou que a comunidade LGBTI+ está mais disposta a fazer denúncias, em parte por conta do fortalecimento da representatividade: “Tanto no Legislativo, quanto no Executivo e no Judiciário, o que a gente tem de avanço foi por causa da nossa luta, foi porque a gente conquistou. Ninguém deu nada para a gente. Então, é fundamental que a gente ocupe os espaços de denúncias e de visibilidade”.
A drag queen e comunicadora Pikineia manifestou preocupação com o futuro das pessoas LGBTI+, incluindo a questão da velhice e do cotidiano: “Como vai ser a nossa velhice? Eu não estou falando só da saúde mental, da saúde física, estou falando do dia a dia mesmo. Já é difícil para uma pessoa heterossexual, imagina para nós, LGBTs, para pessoas transgênero. Não é fácil. Então, a gente precisa colocar sim a mão na consciência e pensar no amanhã, mas o amanhã a gente precisa fazer hoje”.
O presidente do Grupo Estruturação LGBT+ de Brasília, Michel Platini, destacou o simbolismo da sessão: “Estar aqui nessa tribuna, na Câmara Legislativa da capital do Brasil, falando em nome da comunidade LGBT+, já é, por si só, uma vitória”. Ele também apontou demandas por garantias básicas, como o direito de existir, amar, formar famílias, envelhecer com dignidade, estudar e trabalhar sem sofrer violência.
O artista visual, cantor e compositor Paulo Amaro afirmou que a cultura periférica e preta ainda enfrenta desprezo e que a presença de artistas LGBTI+ vindos de periferias é um desafio ao sistema da arte.
Registro visual
Durante a sessão foram registradas imagens da cerimônia. Foto divulgada com crédito a Andressa Anholete / Agência CLDF.
O Mês do Orgulho LGBTI+ é celebrado mundialmente em junho em alusão ao dia 28 de junho de 1969, quando ocorreu a Revolta de Stonewall, episódio em Nova York que se tornou símbolo da luta pelos direitos da população LGBTI+.
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