Audiência pública na CLDF discutiu a atuação dos optometristas na detecção precoce de problemas visuais e no acesso a serviços de visão.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou, por iniciativa do deputado Thiago Manzoni (PL), na noite da última quinta-feira (25), uma audiência pública para debater a relevância dos profissionais da optometria na saúde pública. O encontro, realizado na sede da Casa, reuniu especialistas, autoridades e representantes da categoria para discutir a ampliação do acesso da população aos serviços de visão e a atuação dos optometristas como primeira linha de prevenção da cegueira evitável.
Impacto na educação e no trabalho
Manzoni afirmou que a saúde visual tem impacto direto no aprendizado e na produtividade da população. Segundo o parlamentar, em escolas do DF há casos em que crianças abandonam os estudos por não saberem que têm problemas de visão. “O aluno muitas vezes não entende que ele não aprende porque não enxerga. Ele se acha burro e acaba deixando de ir para a escola”, observou o deputado ao defender que o trabalho dos optometristas contribui para reduzir a evasão escolar.
Atuação e atribuições dos optometristas
Representantes da Confederação Brasileira de Optometria e Óptica (CBOO) explicaram que os optometristas atuam na detecção, medição e correção de problemas visuais por meio da identificação de falhas na focalização da luz que entra nos olhos. Conforme a entidade, a categoria realiza exames de acuidade visual, pode prescrever óculos e lentes de contato e encaminhar pacientes com suspeita de patologias oculares para avaliação de médicos oftalmologistas.
O secretário-geral da CBOO, Irineu Ricardo, afirmou que cerca de 80% a 85% do conhecimento humano é adquirido por meio da visão e que o optometrista é treinado para avaliar mais de vinte habilidades visuais essenciais para o desenvolvimento motor e cognitivo.
Reconhecimento e desafios de regulamentação
O presidente de honra da CBOO, Ricardo Bretas, afirmou que a optometria é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a primeira barreira contra a cegueira evitável. Ele criticou o que chamou de “corporativismo” que, segundo ele, impede a inserção desses profissionais no SUS e dificultaria a redução das filas de espera. A presidente da CBOO, Eriolanda Bretas, informou que levantamentos anteriores apontaram que o Distrito Federal chegou a ter mais de 6 mil pessoas aguardando atendimento para exames de acuidade visual.
O procurador do Ministério Público do Trabalho de Goiás, Tiago Ranieri de Oliveira, destacou que a regulamentação plena da optometria é uma questão de acesso à saúde e inclusão social, e que a correção visual precoce favorece a qualificação profissional e a inserção no mercado de trabalho.
Participação de órgãos de defesa e fiscalização
Representantes de órgãos do DF também participaram do evento. Jonathan Farage, diretor-geral do Procon-DF, manifestou apoio a iniciativas que ampliem o acesso à saúde com qualidade e transparência. A gerente de serviços de saúde da Vigilância Sanitária, Ana Paula Prudente, colocou o órgão à disposição para orientar os profissionais sobre o licenciamento sanitário e a normatização de consultórios no Distrito Federal.
Foto: Sara Marques/Agência CLDF
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