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Especialistas defendem transição energética com metas, fundos e prazos para reduzir combustíveis fósseis

9 de junho de 2026
Especialistas defendem transição energética com metas, fundos e prazos para reduzir combustíveis fósseis
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Especialistas na Câmara propõem metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática na transição energética.

Em seminário promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram propostas para a substituição gradual dos combustíveis fósseis. O encontro ocorreu em Brasília e a matéria foi publicada em 09/06/2026 – 21:41.

Propostas e metas

Os participantes defenderam uma transição energética com metas anuais e prazos vinculantes, além da criação de fundos para assegurar a justiça climática. Conforme os debatedores, as medidas incluiriam planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo.

Ao expor as contradições políticas do país, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, afirmou: “Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”.

Foz do Amazonas e alternativas de investimento

Ricardo Fuji, analista do WWF Brasil, apresentou estimativas sobre os impactos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, incluindo custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria diferente se o capital fosse aplicado em energias renováveis.

“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, citou Ricardo Fuji.Preços internacionais e subsídiosOs especialistas também abordaram o cenário geopolítico que afeta o preço dos derivados de petróleo. Conforme levantamento citado no debate, só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil.

Outro dado apresentado mostra que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, de acordo com os debatedores, sofreram aumento no custo de vida durante o conflito.

João Cerqueira, diretor da 350.org no Brasil, ressaltou o alto nível de subsídios ao setor e pediu aos parlamentares a aprovação doProjeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão. Ele também defendeu a rejeição doPL 1371/25, que manteria subsídios até 2050 no país.

O deputado Fernando Mineiro (PT-RN), um dos organizadores do seminário, defendeu a atuação do governo federal na gestão da crise: “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”Conta de luz e estratégia industrialHouve debates sobre os efeitos da política energética naconta de luz. Um representante daAneel, Leandro Moreira, mencionou esforços para reduzir o peso dos subsídios custeados pela tarifa, citando entre as propostas oPLP 100/26**, em análise na Câmara.

Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu que o país concentre ações em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, diante das novas opções de exploração mineral e energética. Ela afirmou que não se deve trocar a dependência fóssil por “uma nova dependência tecnológica e material” e defendeu agendas industriais para minerais críticos, com rastreabilidade, circularidade e salvaguardas socioambientais.

O seminário foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor e reuniu representantes de organizações e entidades ligados à pauta climática e energética.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

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