Audiência na Comissão de Agricultura aponta risco ao modelo integrado e efeitos da tributação sobre preços e mercado.
Representantes da cadeia produtiva do tabaco afirmaram, em audiência pública na Câmara dos Deputados em 02/07/2026 – 17:03, que o sistema integrado de produção e a produção de tabaco estão ameaçados. O debate foi solicitado pelo deputado Heitor Schuch (PSD-RS) e reuniu produtores, associações e entidades sindicais para discutir impactos do aumento de produtores independentes e da tributação.
Riscos ao modelo integrado
Segundo o deputado Heitor Schuch, o sistema integrado foi construído há mais de 100 anos e reúne toda a cadeia, desde o cultivo até a fabricação de derivados. Schuch afirmou que o modelo ajuda a equilibrar a produção com a demanda, oferece assistência técnica aos produtores e contribui para o controle da qualidade dos insumos. Para ele, o crescimento do número de produtores independentes coloca essa estrutura em risco.
Schuch destacou ainda que a produção maior provocou queda no preço do produto: a arroba do tabaco caiu de R$ 340, em janeiro, para R$ 260 atualmente. Em discurso na audiência, ele observou que “Hoje há produção de tabaco o ano inteiro. Isso pode ser bom para a indústria, mas não traz os mesmos benefícios para quem produz.”
Dados sobre produtores e preços
O vice-presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil, Romeu Schneider, disse que na última safra houve um “crescimento exagerado” do número de produtores fora do sistema integrado e que eles já representam mais de 20% do total.
O presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco, Gilson Becker, criticou a alta na tributação criada para compensar a redução do preço do combustível de aviação. Segundo Becker, a carteira de cigarro mais barata passará de R$ 6,50 para R$ 11, o que, na sua avaliação, poderá incentivar consumidores de baixa renda a comprar produtos contrabandeados.
Impacto sobre o mercado e empregos
Para Rangel Marcon, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins, o governo precisa dialogar com o setor antes de adotar medidas relacionadas ao tabaco. Segundo ele, o aumento do imposto sobre o cigarro tende a ampliar o mercado ilegal de cigarros. “As mudanças regulatórias preocupam os trabalhadores. O aumento do imposto sobre o cigarro tende a ampliar o mercado ilegal, que não gera empregos nem arrecadação para o país”, disse Marcon.
Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco, informou que o governo federal arrecadou R$ 24 bilhões com impostos sobre o tabaco no ano passado e que a renda dos produtores do setor foi de R$ 14 bilhões no mesmo período.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes
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