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Hospital da Criança de Brasília promove Encontro do Brincar e discute papel do brincar na rotina hospitalar

6 de junho de 2026
Hospital da Criança de Brasília promove Encontro do Brincar e discute papel do brincar na rotina hospitalar
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Evento técnico-científico reuniu profissionais para debater o brincar na infância e na jornada do cuidado.

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) realizou a terceira edição do Encontro do Brincar na sexta-feira (29/5), no próprio hospital. O evento reuniu profissionais de saúde, educadores, brinquedistas e estudantes para discutir o papel do brincar na infância e seus reflexos na vida adulta, por meio de conferência, mesa-redonda e apresentação de projetos.

Abertura e mudança de paradigma

Na abertura, a diretora executiva do HCB, Valdenize Tiziani, trouxe a evolução histórica da criança como sujeito de direitos e destacou a alteração de práticas na medicina. Segundo a diretora, historicamente o saber médico priorizava o diagnóstico em detrimento da identidade do paciente. Ela afirmou: “Em reuniões de caso clínico, era comum a equipe se referir ao paciente pela patologia e pelo leito, em vez de usar o nome da criança. Não se levava em consideração quem era aquele sujeito, seus sonhos e desejos”.

O HCB fundamenta suas práticas em diretrizes legais, como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas. A gerente de Pesquisa, Cristiane Salviano, ressaltou que a instituição trata o lúdico com rigor técnico e integra a ciência do brincar à rotina hospitalar. Atualmente, o HCB dispõe de oito brinquedotecas: cinco nas alas de internação (Golfinho, Baleia, Tartaruga, Gaivota e Caranguejo) e três nos ambulatórios (Pampa, Pantanal e Sertão), com livre acesso a pacientes e familiares.

Brinquedotecas e construção da identidade

A conferência de abertura, intitulada “O papel do brincar no ambiente hospitalar de crianças e adolescentes”, foi ministrada por Maria Célia Malta Campos, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP e presidenta da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri). Ela defendeu a universalização do acesso ao “brincar livre, em todos os lugares e para todos” e explicou que a brincadeira permite à criança elaborar experiências vividas. “O adulto pode viajar para outro planeta, ir para o futuro, devanear”, disse a palestrante.

Campos afirmou que a brincadeira é o primeiro laboratório de cidadania, porque por meio de jogos e interações as crianças aprendem a tomar decisões coletivas, respeitar o espaço alheio, exercer o direito de fala e responsabilizar-se pelas próprias ações. Conforme a especialista, marcos legais como o Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016) e a Parentalidade Positiva (Lei nº 14.826/2024) têm pressionado agentes públicos a estruturar políticas para a primeira infância.

Práticas integradas de humanização no HCB

O evento promoveu uma mesa-redonda mediada por Lucy Marina Oliveira, assistente de Promoção da Saúde do Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe), organização social de saúde gestora do HCB. O debate reuniu especialistas para discutir a intersetoralidade no cuidado pediátrico e o compromisso com infância, cultura e lazer.

A médica coordenadora de Pneumologia Pediátrica, Luciana Monte, apresentou o projeto Na Pontinha do Pé, que desde 2016 leva sessões de balé clássico com voluntárias ao hospital. Ela relatou que a necessidade de se comunicar com a criança levou à adoção de linguagem lúdica: “Foi a necessidade de me comunicar com a criança que me fez usar a criatividade, a música e o balé. Eu explicava que o oxigênio era como se fosse um ‘elefante’ para que o paciente aceitasse a máscara de forma leve”.

A gerente da Linha de Cuidado ao Paciente Oncohematológico, Lorena Borges, explicou que a ambientação do HCB é usada para preservar a identidade da criança durante o tratamento, adequando ações educativas a cada fase do desenvolvimento. Na área de reabilitação física, o terapeuta ocupacional Tulio Medina demonstrou como o ambiente externo do hospital pode virar recurso terapêutico ao propor charadas e criar histórias baseadas no cenário.

Continuidade pedagógica e programas educacionais

Fabíola Gonzaga de Freitas, gerente da Atenção às Aprendizagens da Secretaria de Educação (SEEDF), apresentou o panorama das Classes Hospitalares, que atuam em parceria com a SES-DF para garantir a continuidade do atendimento pedagógico de estudantes internados. Conforme a gerente, a iniciativa dialoga com as diretrizes do Currículo em Movimento e com o projeto Plenarinha, que introduz conceitos de participação política e controle social desde a educação infantil.

Com informações do HCB

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