Distrito Federal registra índice histórico de 0,866 no IDHM em 2024 após políticas sociais e investimentos.
O Distrito Federal atingiu o topo do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil em 2024 com a marca de 0,866, acima da média nacional de 0,805, segundo o Radar IDHM 2024. O resultado reflete avanços em saúde, educação e renda e ocorre após crescimento de 0,043 (5,2%) em relação a 2021, quando o índice do DF foi de 0,823. Em 2012, o IDHM do DF era 0,824.
Metodologia e fonte dos dados
De acordo com o Radar IDHM 2024, o índice é uma adaptação do indicador global para avaliar unidades federativas e municípios. A escala vai de 0 a 1 e considera três dimensões: longevidade e saúde, educação e padrão de vida (renda e trabalho). A publicação foi elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Programas sociais e atendimento direto
O Governo do Distrito Federal (GDF) articula uma rede integrada para transformar o desempenho econômico em bem-estar social. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) coordena políticas que incluem o Cartão Prato Cheio e o DF Social, que buscam garantir segurança alimentar e complementar renda.
“Para as famílias que mais precisam, as políticas sociais talvez sejam as únicas formas de garantir o mínimo, como a comida na mesa”, afirma Giselle Ferreira, secretária de Desenvolvimento Social.
O Cartão Prato Cheio concede R$ 250 mensais para compra de alimentos a 130 mil famílias no DF, em 18 parcelas. A secretária destaca também o Cartão Gás e outras ações de transferência de renda como mecanismos para reduzir impactos no orçamento doméstico.
Casos atendidos pelos centros mostram efeitos imediatos das políticas. Diana Patrícia Moura, cozinheira diagnosticada com uma doença grave em outubro do ano passado, relata que o benefício ajudou a manter a alimentação enquanto ela se concentra no tratamento: “Vai ajudar muito, porque tem que pagar aluguel, né? Fora o aluguel, o mais caro é a comida. Então, vai ser bem-vindo”.
Paolo Sousa, gerente do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Samambaia Sul — unidade que chega a atender quase 30 mil famílias por ano —, afirma que o programa alterou a condição de alimentação de famílias atendidas. “Há famílias que tinham uma condição precária de alimentação e, hoje, após o Prato Cheio, têm dignidade na alimentação”, relata.
Tamires Negre, dona de casa e mãe de uma recém-nascida de 22 dias, diz que a alimentação da família foi assegurada pelo Prato Cheio e aguarda a Bolsa Natalidade, que oferece kit com enxoval e R$ 200 para famílias vulneráveis: “Ajuda muito. A gente foi a uma consulta da neném e precisa de um remedinho, que não tenho como comprar neste momento. Mas, quando vier, esse benefício vai dar uma ajuda”.
Educação como base do desenvolvimento
A Secretaria de Educação ressalta que o avanço educacional foi crucial para o resultado do DF. O Distrito Federal registra a menor taxa de analfabetismo do país entre maiores de 15 anos e alcançou 65% das crianças alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental, indicador superior à meta nacional.
“Cada estudante que permanece na escola e conclui sua trajetória educacional representa um avanço concreto para o desenvolvimento humano do DF”, afirma Iêdes Soares Braga, secretária de Educação interina. A pasta destaca programas como o Alfaletrando que contribuíram para a alfabetização precoce.
Relação com trabalho e economia
Para fechar o ciclo de desenvolvimento humano, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet) investe em qualificação e atração de empresas. Programas como QualificaDF e RenovaDF atuam na capacitação profissional e na revitalização comunitária.
Apenas nos primeiros meses de 2026, as Agências do Trabalhador disponibilizaram quase 25 mil vagas de emprego. O programa Emprega DF, que concede benefícios fiscais a empresas que investem e geram emprego no DF, também demonstra impacto: entre 2019 e 2024 houve aumento superior a 3.200% na geração de empregos diretos, saltando de 321 para 10.608 postos, e crescimento dos investimentos de empresas de R$ 37,1 milhões para R$ 189,3 milhões.
“O Distrito Federal tem se consolidado como um lugar cada vez mais atrativo para viver, trabalhar e investir”, afirma Thales Mendes, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda. Ele acrescenta que a expectativa é ampliar geração de empregos, fortalecer negócios locais e levar mais qualificação profissional para todas as regiões administrativas.
Autonomia e descontinuidade dos benefícios
Gestores do atendimento relatam casos em que famílias solicitaram desligamento voluntário das políticas porque alcançaram autonomia financeira. Paolo Sousa cita exemplos de beneficiários que se qualificaram e conseguiram vagas de estudo ou emprego para os filhos, o que, segundo ele, demonstra resultados concretos das ações sociais.
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