Hospital da Criança de Brasília concentra diagnóstico, acolhimento e reabilitação de crianças com cardiopatia congênita.
O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) atende crianças com cardiopatia congênita desde o diagnóstico até a reabilitação, com serviços voltados a recém-nascidos e acompanhamento ambulatorial. Segundo a instituição, cerca de 1% dos recém-nascidos no Brasil apresentam essa condição. As ações são reforçadas no contexto do Dia Nacional da Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho.
Estrutura e articulação do atendimento
No HCB, a avaliação inclui exames de alta complexidade, como eletrocardiograma, ecocardiograma, holter, Mapa e ressonância magnética cardíaca. Cirurgias de alta complexidade e procedimentos percutâneos são realizados no Instituto de Cardiologia e Transplante do Distrito Federal (ICTDF); o HCB recebe as crianças nos momentos de pré e pós-operatório.
Pacientes em estado crítico são encaminhados diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HCB após confirmação do diagnóstico na rede. Casos estáveis seguem internados, em consultas ambulatoriais ou são integrados via Complexo em Regulação em Saúde do Distrito Federal (CRDF). A unidade também atende crianças vindas de outros estados por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Casos clínicos e importância do diagnóstico precoce
Desde o nascimento, algumas crianças precisam de suporte imediato. É o caso de Cecília Isis, cuja mãe, Camila Santos, relata que a bebê precisou de oxigênio nos primeiros minutos de vida e foi internada várias vezes. A comunicação entre ventrículos provocava sobrecarga cardíaca e hiperfluxo pulmonar; aos cinco meses, a cardiologista optou pela correção cirúrgica no ICTDF. Hoje Cecília recebe acompanhamento no HCB em especialidades como cardiologia, gastroenterologia, nutrição, pneumologia, neurologia e reabilitação.
Outro exemplo é Vitor Levi, de Corrente (Piauí). Sete dias após a alta da maternidade a mãe, Geovanna Lobato, percebeu cianose durante a amamentação. O bebê passou por cirurgia de Glenn aos quatro meses devido à comprometimento do lado esquerdo do coração. O pós-operatório exigiu suporte intensivo e atualmente Vitor está em fase de reabilitação, retomando a alimentação e se preparando para as próximas etapas do tratamento, com acompanhamento contínuo no HCB.
Fatores de risco e exames recomendados
A coordenadora de Cardiologia e Ecocardiografia do HCB, Juliana Duarte Diniz, explica que a cardiopatia congênita é multifatorial e envolve fatores genéticos e ambientais. Ela cita associação frequente com síndromes genéticas como Down, Edwards e Patau, além de fatores maternos como diabetes, lúpus, infecções como rubéola, idade materna avançada e uso de determinadas medicações ou substâncias durante a gravidez. Juliana ressalta ainda que a hipertensão materna, embora possa alterar temporariamente o funcionamento cardíaco intrauterino, não está diretamente ligada a malformação estrutural.
Para reduzir complicações, a especialista destaca o papel do ecocardiograma fetal, indicado preferencialmente entre a 22ª e a 25ª semana de gestação, capaz de detectar a maioria das anomalias graves. Quando o diagnóstico não ocorre antes do parto, a rede pública do Distrito Federal dispõe da triagem neonatal obrigatória: o teste do coraçãozinho, realizado após as primeiras 24 horas de vida.
O teste do coraçãozinho utiliza um sensor de oximetria de pulso nas extremidades para medir saturação de oxigênio e frequência cardíaca. Resultado considerado normal é saturação igual ou acima de 95% em ambos os locais e diferença inferior a 3% entre as medições. Em caso de alteração persistente, a criança é encaminhada para avaliação clínica e ecocardiograma.
No caso de Cecília e de Vitor, a triagem neonatal e exames do pré-natal não identificaram de imediato as cardiopatias; o diagnóstico foi confirmado após episódios de cianose e exames de imagem realizados nos primeiros dias ou semanas de vida.
Acolhimento e proteção social
O HCB adota a integralidade do cuidado e considera acompanhantes como parte essencial do tratamento. O Serviço Social realiza, na admissão, uma avaliação chamada admissão social para mapear a situação familiar e identificar fatores que podem interferir no tratamento, conforme explica a supervisora do Serviço Social, Damares Santos.
A equipe mapeia a rede de apoio, avalia o perfil de proteção oferecido pelos acompanhantes e aciona redes locais quando necessário. O trabalho busca garantir a segurança clínica da criança sem caráter punitivo, identificando cuidadores suplentes e medidas de suporte para situações de vulnerabilidade.
Histórias de famílias que acompanham o tratamento demonstram que o cuidado envolve não só a correção cirúrgica, mas também acompanhamento multiprofissional, suporte à reabilitação e atenção às condições sociais que cercam a criança.
Com informações do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB)
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