Painel da 10ª Conferência Municipal de Saúde apresentou quatro eixos temáticos com foco em democracia, financiamento, emergências climáticas e modelos de atenção.
A 10ª Conferência Municipal de Saúde (Comus) promoveu, nesta quarta-feira, 10/6, um painel com quatro eixos temáticos em Manaus. O evento, organizado pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS/Manaus) em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), teve sequência após a abertura ocorrida em 9/6 na Faculdade Boas Novas, bairro Japiim, zona Sul, quando 455 delegados representantes de gestores, trabalhadores e usuários do SUS se reuniram para iniciar os trabalhos.
Painéis e objetivos
De acordo com o presidente do CMS/Manaus, conselheiro Hellyngton Moura, os painéis temáticos subsidiaram os participantes com informações para os grupos de trabalho. Segundo ele, a intenção é ampliar o entendimento dos delegados sobre os temas e permitir a revisão e melhoria das propostas elaboradas nas seis pré-conferências distritais, antes da votação na plenária final.
Democracia, saúde como direito e soberania nacional
O primeiro eixo foi conduzido pela professora e pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas, doutora Lidiany Cavalcante. Ela ressaltou a importância da participação social na preservação da democracia e na consolidação do SUS, lembrando a trajetória histórica do sistema e o papel das conferências na garantia do protagonismo social.
“Nosso objetivo aqui é reafirmar o protagonismo que já temos com um legado histórico, trabalhar com a perspectiva histórica de como o SUS avançou até aqui, com o marco que foi a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que foi exatamente o marco da participação social, e sensibilizar sobre a importância de buscarmos novamente, como sociedade, ocupar esses espaços de participação social”, declarou Lidiany Cavalcante.
Financiamento adequado e suficiente para o SUS
O segundo eixo teve a coordenação da diretora de Planejamento da Semsa, Vanilce Monteiro Lima. Ela apontou o subfinanciamento do SUS e o impacto financeiro para os entes federativos, em especial para os municípios. Vanilce afirmou que, na prática, a participação federal tem sido menor e que o município tem suportado quase 80% do financiamento da rede de saúde em Manaus.
Lembrando o caráter ascendente do planejamento em saúde — das conferências municipais às etapas estaduais e nacional — Vanilce destacou que a Comus é o momento para discutir propostas que possam fundamentar o plano nacional de saúde e orientar o plano municipal.
“Esse é o primeiro momento e o mais importante, nas conferências municipais. A Comus é a oportunidade que a população de Manaus tem de participar da elaboração de propostas e diretrizes que poderão embasar o plano nacional de saúde, de onde virão as normativas para o plano municipal de saúde e que vão direcionar as prioridades do SUS nos próximos anos”, afirmou Vanilce.
Emergências climáticas e justiça socioambiental
O terceiro eixo foi apresentado pelo gerente de Vigilância de Serviços da Semsa e conselheiro municipal de saúde, Jorge Carneiro. Ele ressaltou a necessidade de preparar o SUS para os impactos das mudanças climáticas, tema que também foi debatido na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30).
“Essa é uma realidade que já estamos vivendo, não é algo que vai acontecer no futuro. É uma realidade que repercute na área da saúde e precisamos preparar o SUS para responder às mudanças climáticas, que estão acontecendo cada vez mais de maneira mais rápida e acentuada”, alertou Jorge Carneiro. Ele acrescentou a necessidade de ações de prevenção e previsão para reduzir impactos sem recorrer a medidas extremas de calamidade na saúde.
Modelos de atenção e gestão, territórios integrados e cuidado integral
O quarto eixo foi coordenado pela diretora de Atenção Primária da Semsa, enfermeira Sonja Farias. Ela destacou a importância do planejamento considerando os territórios de atuação, o fortalecimento das equipes de Atenção Básica e a integração entre gestão, assistência, vigilância e participação social para reduzir a fragmentação das redes de atenção.
“A ideia é lembrar que é fundamental ter um equilíbrio e que gestão, assistência, vigilância e a participação social são todos importantes. É necessário ainda valorizar o trabalhador da saúde e combater a fragmentação que ainda existe nas redes de atenção”, declarou Sonja Farias.
A programação da 10ª Comus prossegue nesta quinta-feira, 11/6, das 8h às 17h, com a formação de grupos de trabalho para discutir propostas e diretrizes que serão apresentadas na plenária final. No encerramento, na sexta-feira, 12/6, haverá a plenária final para apresentação e votação das diretrizes e propostas elaboradas nos grupos de trabalho, e a eleição dos delegados que irão representar Manaus na Conferência Estadual de Saúde.
Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Fotos – Divulgação/Semsa
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