Sessão solene na Câmara Legislativa reuniu mestres, professores e grupos para celebrar o Dia do Capoeirista.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou, na noite desta terça-feira (4), uma sessão solene em comemoração ao Dia do Capoeirista, com execução do Hino Nacional por atabaques e uma roda de capoeira no foyer do plenário. A homenagem foi proposta pela deputada Jaqueline Silva (MDB) e contou com a presença de mestres, professores, atletas e representantes de grupos de diversas regiões administrativas do DF.
Homenagem e declarações
Durante a cerimônia, autoridades e praticantes destacaram a importância da capoeira como ferramenta de inclusão social, educação e preservação da cultura brasileira. Também defenderam políticas públicas para fortalecer os projetos sociais e ampliar a presença da modalidade nas escolas públicas.
Em discurso de abertura, Jaqueline Silva ressaltou o papel dos capoeiristas na formação de crianças e jovens e afirmou que a atividade vai além do esporte. “Não há uma cidade sequer que eu visite no Distrito Federal que não tenha projetos de capoeira. Quando a gente fala de capoeira, não estamos falando apenas de um esporte. Estamos falando de uma ferramenta que tem transformado e salvado vidas”, declarou. Ela também defendeu a inclusão da capoeira no currículo da rede pública.
O deputado federal Júlio Cesar (Republicanos-DF) participou da solenidade e disse que a capoeira reúne história, arte, esporte e música, além de valores formadores de cidadãos. “Os mestres e praticantes preservam um patrimônio cultural do Brasil e transformam vidas por meio da inclusão social, da educação e do esporte”, afirmou.
Resgate histórico e internacionalização
Em um relato sobre a trajetória da modalidade, o mestre Tatá lembrou que a capoeira superou décadas de perseguição e criminalização até se tornar um símbolo cultural reconhecido fora do país. Segundo ele, a prática alcança mais de 150 países e Brasília se consolidou como referência pela colaboração entre mestres e grupos.
Dia a dia do capoeirista
Relatos pessoais marcaram a solenidade. O mestre Pedro Teles contou que retomou a carreira após encontrar mecanismos de apoio e financiamento para projetos culturais e esportivos e que, neste ano, decidiu dedicar-se exclusivamente à atividade. “Hoje, estou pagando minhas contas com aquilo que ganho da capoeira. Estou muito contente. Precisei quebrar esse tabu e quero dizer para todos: acreditem na capoeira e não se vendam barato”, disse.
O atleta e mestre Erick Maia relatou viagens internacionais e a transformação de sonhos em conquistas profissionais. “Graças à capoeira conheci diversos países e alcancei conquistas que um dia pareciam muito distantes. Hoje sou atleta profissional de capoeira e de MMA. A capoeira me ensinou a cair, levantar, vencer com humildade e perder com dignidade”, afirmou.
Projetos sociais e resultados
A mestre Elisângela Lima, da Associação Capoeiristas do Rei, destacou o impacto dos projetos sociais em sua vida e na de seus filhos. Segundo ela, as iniciativas tiram crianças da rua, ensinam disciplina e acolhem pessoas vulneráveis a drogas e à violência. O mestre Canela relatou o crescimento de um trabalho iniciado em Planaltina que hoje alcança alunos em outros estados e em Portugal. Para ele, o resultado mais importante é ver alunos orgulhosos de se identificarem como capoeiristas.
Capoeira nas escolas
A inserção da capoeira na rede pública de ensino foi citada como prioridade pela mesa. O mestre Kel informou que representantes do setor participaram da elaboração de um projeto de lei para ampliar a presença da modalidade nas escolas do DF e argumentou que a prática dialoga com várias áreas do conhecimento e com a formação cidadã dos estudantes. O subsecretário da Secretaria de Esporte e Lazer, Nivaldo Félix, classificou a capoeira como atividade multidisciplinar que integra arte, música, história, dança e esporte.
A cerimônia teve registro fotográfico disponível no Flickr da CLDF e vídeo da sessão em canal da Câmara no YouTube.
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