Sessão solene na CLDF tratou de diagnóstico precoce, orçamento e apoio integral às famílias afetadas pelo câncer infantojuvenil.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal promoveu hoje (28) uma sessão solene dedicada ao Setembro Dourado, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil e de doenças raras em crianças e adolescentes. A iniciativa do deputado Eduardo Pedrosa (União) reuniu parlamentares, médicos, representantes de entidades da sociedade civil, pacientes e familiares no plenário para debater o fortalecimento da rede pública de atendimento, avanços orçamentários e o suporte integral às famílias.
Dados e diagnóstico precoce
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer citadas no evento, o Brasil deve registrar cerca de 7.560 novos casos de câncer em crianças e adolescentes de zero a 19 anos em 2026, sendo previstos aproximadamente 120 novos casos anuais no Distrito Federal. O deputado Eduardo Pedrosa ressaltou que sinais persistentes como febre contínua, palidez, cansaço excessivo, perda de peso involuntária, dores inexplicáveis, caroços, sangramentos e alterações visuais ou de comportamento exigem avaliação médica imediata, e que o tempo entre a suspeita e o início do tratamento é decisivo para o prognóstico.
Rede de atenção e orçamento
A sessão enfatizou a necessidade de estruturar uma linha de cuidado contínua e integrada que articule saúde, atenção primária, escolas e assistência social, para evitar que familiares enfrentem isoladamente as dificuldades da jornada terapêutica. Durante a solenidade, foi defendida a aprovação de rubrica orçamentária específica para o enfrentamento ao câncer na Lei de Diretrizes Orçamentárias do DF.
Trajetória da especialidade e resultados
Ao resgatar 40 anos da especialidade na capital, a médica oncologista pediatra e diretora médica do Hospital da Criança de Brasília, Ísis Magalhães, explicou o percurso desde os trabalhos no Hospital de Base até a consolidação do centro especializado, estruturado em assistência, ensino e pesquisa. O presidente do Instituto Abrace, Alexandre Alarcão, afirmou que a atuação conjunta entre sociedade civil e poder público elevou os índices de cura de cerca de 40% nas décadas passadas para aproximadamente 80% atualmente, além de reduzir para zero a taxa de evasão do tratamento na rede do Distrito Federal.
Depoimentos e homenagens
Representantes de entidades assistenciais também falaram na sessão. Shalma Vicentim, presidente do Instituto Mães da Onco AmaVida, pediu atenção ao acolhimento emocional das mães e destacou dificuldades de reinserção no mercado de trabalho após longos períodos de internação. Carla Gomes de Oliveira, presidente do Centro de Tratamento do Câncer, comentou a importância dos atendimentos às crianças e familiares.
A paciente oncológica Ana Maria Serafim Nascimento relatou a trajetória do filho Lincoln Miguel, falecido por hepatoblastoma metastático, e reforçou a importância de ouvir os alertas dos pais para diagnósticos mais céleres. Tássia Janaína Moreira Rodrigues homenageou a neta Maria Cecília, diagnosticada aos sete meses com neuroblastoma, e apelou para que mães e acompanhantes recebam suporte efetivo.
Ao final da sessão foram concedidas moções de louvor a profissionais de saúde, voluntários, mães e avós atípicas e oncológicas, em reconhecimento à dedicação e ao compromisso com a causa do câncer infantojuvenil na capital. A íntegra da sessão solene está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.
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