Conselho de Comunicação Social debate aumento de ataques digitais e uso de inteligência artificial para desinformação durante as eleições.
A presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, Patrícia Blanco, afirmou nesta segunda-feira, 06/07/2026, que a violência contra jornalistas ganhou novos contornos com ataques coordenados nas redes sociais e o uso de inteligência artificial para desinformação. A declaração foi feita durante audiência pública do conselho realizada no Congresso Nacional para discutir formas de combate à violência contra a imprensa com foco nas eleições de 2026.
Eleições 2026
Conforme levantamento citado por Patrícia Blanco, a Coalizão em Defesa do Jornalismo registrou mais de 57 mil ataques digitais durante a campanha municipal de 2024. Segundo dados da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), menções agressivas a jornalistas cresceram 35% em 2025, chegando a cerca de 900 mil registros. Blanco destacou ainda que mulheres jornalistas concentram a maior parte das agressões.
A dirigente afirmou que a violência em períodos eleitorais não atinge apenas um profissional: é uma afronta ao direito de cada cidadão de receber informações confiáveis para decidir o voto. “Eleições justas exigem jornalismo seguro e livre”, disse.
Observatório e monitoramento
Representante da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Danyelle Reis Carvalho explicou a criação de um grupo de trabalho no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais para acompanhar as eleições de 2026. De acordo com ela, o colegiado reunirá órgãos públicos e entidades da sociedade civil para monitorar denúncias, identificar padrões de violência e aprimorar a resposta institucional aos casos.
A secretária-executiva do observatório, Cintia Sogayar, afirmou que as denúncias poderão ser encaminhadas pela plataforma FalaBR e terão acompanhamento específico durante o período eleitoral. “O grupo de trabalho busca reunir atores-chave para uma resposta mais coordenada no recebimento de denúncias, no acompanhamento dos casos e na produção de diagnósticos e recomendações”, observou.
Direito à informação
Para o presidente do Comitê Editorial e de Programação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Pedro Rafael Vilela, a segurança dos profissionais da comunicação deve ser tratada como garantia do direito coletivo à informação, não apenas como demanda da categoria. Vilela citou relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que registrou 144 casos de violência contra jornalistas em 2024 e afirmou que as eleições funcionam como um acelerador dessas agressões.
O diretor da Repórteres sem Fronteiras para a América Latina, Artur Romeu, lembrou que a entidade monitorou mais de 3 milhões de ataques nas redes sociais durante o processo eleitoral de 2022. Ele defendeu que o Estado aperfeiçoe mecanismos permanentes de prevenção e responsabilização.
“No momento em que um jornalista é atacado, o alvo é a democracia e o direito da sociedade à informação”, afirmou Romeu.
Assédio judicial
A fundadora e diretora-executiva do Instituto Tornavoz, Charlene Miwa Nagae, chamou atenção para o crescimento do assedio judicial contra jornalistas, com ações legais coordenadas e pedidos indenizatórios usados para intimidar profissionais e veículos. Charlene defendeu o fortalecimento do observatório, a responsabilização dos autores desses ataques e a aprovação de medidas de proteção ao exercício do jornalismo. “A gente precisa de mecanismos de prevenção e de responsabilização para que essas práticas deixem de ocorrer”, disse.
Da Redação – RS
Com informações da Agência Senado
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