Microsoft anuncia avanços em eficiência hídrica e uso de alternativas para reduzir pressão sobre recursos locais.
A Microsoft informou que reduziu a intensidade do consumo de água em seus centros de dados ao longo das últimas décadas e alcançou, no ano fiscal 2025, a reposição de mais água do que retirou globalmente. Segundo a empresa, a eficiência no uso de água (WUE) caiu de 2,3 L/kWh na primeira geração de centros de dados para 0,27 L/kWh em 2025. A companhia diz ter melhorado a WUE em quase 90% desde os anos 2000 e reporta uma redução de 25% na intensidade de consumo de água até 2025, rumo a uma meta corporativa de 40% até 2030.
Histórico e inovações em projeto
Desde os primeiros centros de dados no início dos anos 2000, a Microsoft afirma ter priorizado a eficiência hídrica no desenho das instalações. Conforme a empresa, em 2008 passou a adotar a refrigeração direta por ar com assistência por evaporação, que consome menos eletricidade e até 90% menos água do que torres de resfriamento tradicionais, pois usa água somente quando a temperatura externa ultrapassa 85°F (29,4°C).
A companhia afirma que, em 2025, cerca de 90% de sua frota própria opera com sistemas de baixo ou nulo uso de água. Em 2024, apresentou um novo projeto otimizado para cargas de trabalho de IA que, segundo a Microsoft, não usa água para refrigeração durante as operações, por meio de refrigeração em circuito fechado e resfriamento direto ao chip.
Aprimoramento de centros existentes e dados operacionais
Além de novos desenhos, a empresa relata melhorias em unidades já em operação, como otimização de pontos de ajuste de temperatura e umidade, auditorias regulares do uso de água e comparação com expectativas de projeto usando dados meteorológicos em tempo real. Esses ajustes, diz a Microsoft, evitam sobre-resfriamento e permitem identificar uso inesperado de água.
Na prática, a companhia destaca que seus centros de dados em Phoenix, Arizona, registraram uma melhoria interanual de 23% na WUE no ano fiscal 2025. A empresa afirma que essas práticas operacionais serão aplicadas globalmente em seus centros que usam refrigeração direto-evaporativa.
Uso de água não potável e captação de chuva
A Microsoft informa que amplia o uso de água reciclada, reutilizada ou não potável em regiões de maior demanda. Em três localidades citadas pela empresa, os percentuais de uso dessas fontes são: Quincy, Washington — 74%, Singapura — 99% e San Antonio, Texas — 79%.
Sistemas de captação de água de chuva já estão em funcionamento em centros de dados nos Países Baixos, Suécia e Irlanda, com instalações previstas no Canadá, Reino Unido, Finlândia, Itália, África do Sul e Áustria. A Microsoft estima que novos centros em Quebec possam recolher até 1,5 milhões de litros de água de chuva por ano, conforme níveis locais de precipitação.
Quando necessário, instalações usam sistemas de tratamento in loco para reciclar água diversas vezes no circuito de refrigeração, produzindo água purificada para reutilização e reduzindo dependência de abastecimento municipal.
Investimento e colaboração com comunidades
A empresa relata parceria com concessionárias locais para planejar demanda de abastecimento e infraestrutura. O chamado Compromisso de Comunidade de Centros de Dados inclui proteger bacias locais e investir em projetos que reforcem a resiliência hídrica regional. A Microsoft afirma que, quando são necessárias melhorias no sistema, financia integralmente as atualizações para que as comunidades não arquem com os custos.
Como exemplo, perto do centro de dados em Leesburg, Virginia, a Microsoft financiou mais de US$ 25 milhões em melhorias de água e esgoto. Desde 2020, diz a empresa, foram investidos mais de US$ 500 milhões em mais de 75 projetos de infraestrutura de água e águas residuais com benefícios para as comunidades.
A empresa também cita colaborações específicas: em Phoenix e áreas próximas de Nevada, parcerias com a FIDO Tech e concessionárias para detecção de vazamentos assistida por IA; e no Meio-Oeste dos Estados Unidos, trabalho com a The Nature Conservancy para restaurar humedais em forma de meandro, que ajudam a recarregar aquíferos e reduzir riscos de inundação.
Meta de reposição e próximos passos
A Microsoft combina esses esforços com o objetivo corporativo de ser positivo em água até 2030 — isto é, repor mais água do que retira. A empresa afirma que a separação entre crescimento dos serviços em nuvem e aumento do uso de água passa por práticas resilientes de gestão e por tecnologias de refrigeração mais eficientes.
A companhia informa que continuará investindo em desenhos sem uso de água para cargas de trabalho de IA, em reutilização de água dentro e fora de seus campus e em programas de gestão comunitária. Também estuda arquiteturas de refrigeração zonal para alinhar refrigeração a diferentes tipos de hardware.
Pie de foto: Vista aérea do campus do centro de dados da Microsoft em Wisconsin.
Nota: medido como extrações de água por megawatt (MW); linha de base de 2022.
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