Cerimônia na Câmara Legislativa do Distrito Federal reconheceu projetos de escolas, universidades e comunidades vinculados à educação.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na noite de quarta-feira (18), sessão solene para entrega da 4ª edição do Prêmio Paulo Freire de Educação. A iniciativa do deputado Gabriel Magno reuniu representantes de escolas, universidades, entidades sindicais, estudantes e autoridades para premiar projetos do Distrito Federal que atuam no cotidiano escolar.
Com 330 projetos inscritos — dos quais 80% são oriundos da rede pública de ensino do DF — a solenidade distribuiu medalhas e moções de louvor a todos os participantes e entregou 32 troféus especiais divididos em cinco eixos temáticos.
Abertura e posicionamentos
Ao abrir a sessão, Gabriel Magno destacou a função da escola pública como “espaço de construção da democracia, da diversidade e da cidadania”. Segundo o parlamentar, a premiação tem o objetivo de divulgar o trabalho diário de educadores e educadoras, frequentemente realizado com poucos recursos. “Essa é uma noite de liberdade, diversidade, inclusão e defesa da escola pública. A ideia do prêmio é reconhecer experiências que transformam vidas e fortalecer iniciativas que precisam continuar acontecendo”, afirmou.
Durante o evento, o deputado também afirmou que seu mandato assegurou uma emenda parlamentar de R$ 5 mil via PDAF (Programa de Descentralização Administrativa Financeira) para cada projeto inscrito na edição anterior, e prometeu estender o mesmo benefício financeiro direto para as escolas participantes desta quarta edição, com o objetivo de garantir recursos básicos para manutenção dos projetos.
Defesa da educação pública e discursos
A referência a Paulo Freire foi recorrente ao longo da cerimônia, apresentada como símbolo de uma educação crítica e democrática. Representando o Ministério da Educação, o professor Erasto Fortes Mendonça afirmou que o reconhecimento público amplia o impacto dos projetos. “Receber um prêmio que leva o nome de Paulo Freire significa assumir a responsabilidade de manter viva a luta pela educação como prática da liberdade, pela democratização do conhecimento e pela superação das desigualdades”, declarou.
A presidente da União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal, Alex Maciel, defendeu respeito à diversidade e criticou modelos de militarização escolar. “A escola precisa ser um lugar onde as pessoas possam ser quem são. É um espaço de respeito, inclusão e construção coletiva de uma sociedade mais justa”, afirmou.
Lideranças sindicais e educacionais cobraram melhores condições de trabalho, valorização salarial e mais investimentos para a educação básica e superior. A diretora do Sinpro-DF, Márcia Gilda Moreira Cosme, ressaltou o papel dos professores na formação crítica dos estudantes: “A educação transforma pessoas e pessoas transformam o mundo. É nosso compromisso formar cidadãos conscientes, capazes de construir uma sociedade mais democrática e justa”.
A secretária de imprensa da Federação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Ieda Leal, classificou a premiação como reconhecimento ao trabalho dos profissionais das escolas. “O prêmio registra na história a beleza de ser professor, professora e trabalhador da educação no Brasil”, declarou.
Projetos destacados por eixo temático
Educação para a Diversidade, Direitos Humanos e Justiça Social:
– “A voz e a vez são delas: dialogando com autoras negras da literatura”, do CEF da 410 Norte.
– “CEM 02 Antirracista”, do Centro de Ensino Médio 02 do Gama.
– “Iniciação científica no ensino fundamental: pesquisa e investigação como ferramenta de empoderamento para meninas”, do Centro Educacional Professor Carlos Ramos Mota, no Lago Oeste.
– “Júri Simulado, uma estratégia de aprendizagem colaborativa na educação sexual”, do CEM Ave Branca, de Taguatinga.
– “Ubuntu, educação antirracista, formação política e justiça social na Universidade Pública”, do Instituto de Ciência Política da UnB.
– “Karata Awarari: a educação bilingue imediata como práxis decolonial para alfabetização, identidade e direitos humanos de estudantes da etnia Warao imigrantes venezuelanos”, da Escola do Campo, da Escola Classe Morro da Cruz e da Cáritas Arquidiocesana de Brasília.
– “Visualidades entre grades. Professora, vai colocar na parede? Arte e visibilidade, reconhecimento na educação de jovens e adultos em contexto prisional”, do Centro Educacional 01 de Brasília em unidade prisional.
Educação para a Cultura de Paz, Proteção Integral e Convivência Escolar:
– “CCA: comunidade de cuidado e apoio — Vem comigo”, do Centro de Ensino Médio 01 do Guará.
– “Corpos que falam, vozes que curam: teatro, escuta e inclusão”, no CEM 01 de Planaltina (Centrão).
– “Dramaturgias do Memoricídio: a pedagogia das ruas com adolescentes em privação de liberdade, no cenário da biblioteca Washington Freitas”, do Núcleo de Ensino da Unidade de Internação Socioeducativa de Brazlândia.
– “Educação física, ética e formação integral: construindo competências socioemocionais e responsabilidade social no ambiente escolar”, do CEF 14 de Taguatinga.
– “Jardim Literário de Convivência: uma iniciativa para o desamparamento das infâncias”, da Escola Classe Jardim dos Ipês de Planaltina.
Educação Ambiental, Patrimonial e Sustentabilidade dos Territórios:
– “Cerradim: A voz das crianças em defesa do Cerrado”, da Comunidade de Aprendizagem do Paranoá.
– “Detetives do Clima”, da Escola Classe 303 de Samambaia.
– “Galinário do Ipê: ciclo vivo em cada pio”, da Escola Classe Ipê do Núcleo Bandeirante.
– “Inventário: Nosso Território, Ponte Alta Sul”, do Centro de Ensino Fundamental Tamanduá do Gama.
– “Passeando pela cidade”, da Escola Classe Beija-Flor do Plano Piloto.
– “Turma Capibandosa Cerrado”, do Centro de Ensino Fundamental 26 de Ceilândia.
Educação, Tecnologias Digitais e Relação Escola-Comunidade:
– “Clube de Robótica: Tecnologia, Inclusão e Protagonismo Estudantil”, do CEM 01 de Brazlândia.
– “Plateadostech+: pessoas idosas antenadas nas tecnologias digitais”, do IFB Campus Ceilândia.
– “Memórias que brincam: jogos tradicionais como estratégia de promoção da saúde e fortalecimento comunitário na educação física do campo”, do CED Irmã Maria Regina Velanes Regis de Brazlândia.
– “Projeto Curta Ciência”, do CEM Taguatinga Norte.
– “Robótica como resistência social e inclusão digital”, do CEF 08 de Sobradinho.
Práxis Pedagógicas Transformadoras e Formação Continuada:
– “CEL em ação, protagonismo, autogestão e cultura de aprendizagem colaborativa no ensino médio”, do CED do Lago.
– “Conte mais”, do CED 804, do Recanto das Emas.
– “Educação que transforma, praxis freiriana, formação continuada e sustentabilidade na construção de uma escola pública de qualidade”, do Centro de Ensino Sargento Lima de Santa Maria.
– “Narrativas e percursos geográficos, mobilidades pendulares dos discentes no contexto de uma escola pública do Distrito Federal”, do Centro de Ensino Sargento Lima, de Santa Maria.
– “Saberes Vivos, Cultura, Identidade e Protagonismo na EJA. Projeto Integrador Semana Cultural da EJA”, do CEM 03 de Ceilândia.
– “Sinalização da mente. O exercício da razão no AEE ao Surdocego”, do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais.
– “Pequeno Leitor”, do CAIC Unesco de São Sebastião.
Assuntos nesse artigo:
#cldf, #premiopaulofreire, #paulofreire, #gabrielmagno, #educacao, #distritofederal, #escolapublica, #projetoseducativos, #trofeus, #pdaf, #r5mil, #unb, #sinprodf, #federacaonacionaldostrabalhadoresemeducacao, #estudantes, #universidades, #direitoshumanos, #sustentabilidade, #tecnologiasdigitais, #inclusao
