Moradores e autoridades discutiram saneamento, mobilidade, saúde e preservação ambiental na Serrinha do Paranoá.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal promoveu, na última segunda-feira (15), audiência pública para debater a falta de infraestrutura na região da Serrinha do Paranoá. O encontro, iniciativa da deputada Paula Belmonte (PSDB), ocorreu na Escola Classe Aspalha, Núcleo Rural do Palha, Lago Norte, e reuniu moradores, lideranças comunitárias e representantes de órgãos públicos para expor problemas e apresentar encaminhamentos.
A 2ª vice-presidente da Mesa Diretora abriu a sessão destacando que a escola ainda depende de caminhão-pipa para o abastecimento de água e lembrando que a área possui 119 nascentes, o que motivou debate sobre a gestão dos recursos hídricos e a necessidade de soluções estruturais.
Reivindicações sobre saneamento e mobilidade
Moradores relataram ausência de rede de esgoto em trechos do Setor de Mansões do Lago Norte, com ênfase para o trecho 13 e áreas próximas ao Setor de Galpões. Aldo Zagonel apontou que a atual rede pluvial é antiga e não acompanha a urbanização, provocando assoreamentos no Setor de Mansões. Ele também citou problemas de mobilidade urbana, segurança no trânsito e falta de comércio local, e pediu uma discussão ampla sobre as transformações ocorridas nos últimos 40 anos.
A gerente da Unidade Básica de Saúde do Lago Norte, Maria Inês Guedes, descreveu dificuldades operacionais das oito equipes de saúde, que precisam usar carro próprio para visitas domiciliares, e o atendimento em sete escolas públicas da região, onde há deslocamento de crianças de outras localidades.
Preservação ambiental e risco ao abastecimento
Sol Utre, presidente do instituto Oca do Sol, alertou para as ameaças do desmatamento e das falhas na regularização fundiária sobre a Serrinha. Ela chamou atenção para a importância da Gleba A como área de recarga do aquífero e afirmou que a perda da infiltração pode reduzir a vazão e causar a morte das nascentes. Utre afirmou, de acordo com os participantes, que a não preservação dessa área pode deixar sem água locais como Núcleo Rural do Palha, Jerivá, Sobradinho, Itapoã, Lago Norte e parte da Asa Norte.
A deputada Paula Belmonte avaliou a audiência como rica em contribuições e agradeceu aos participantes por ampliar o conhecimento sobre a Serrinha junto aos condutores de políticas públicas.
Respostas dos órgãos presentes
Representantes de secretarias e conselhos responderam às demandas. O assessor especial do gabinete da Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob), Carlos Henrique Silva, explicou que a falta de transporte público na Serrinha decorre das condições viárias, e que as obras finais de asfaltamento poderão viabilizar a criação de linhas, inclusive com ônibus de menor porte para atender núcleos rurais.
Gustavo Dazzmann, subsecretário dos Conselhos Comunitários de Segurança, afirmou que ouvir o território ajuda a fortalecer diagnóstico e priorizar ações. Ele apresentou o programa DF 360, que centraliza atendimento de emergências, otimiza comunicação e introduz alertas automáticos, e convidou moradores a cadastrar câmeras de segurança para ampliar o monitoramento.
O assessor do gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Pedro Marcelo de Souza, explicou critérios de regularização fundiária urbana e rural aos presentes.
Ao encerrar a audiência, a deputada Paula Belmonte ressaltou a capacidade hídrica da Serrinha e a necessidade de manter a área na agenda pública para proteger os recursos que abastecem parte do Distrito Federal.
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