Equipe da Microsoft transforma experimentos com OpenClaw em Microsoft Scout, assistente pessoal de IA integrado ao M365.
No início deste ano, engenheiros da Microsoft transformaram experimentos com extensões OpenClaw em um assistente pessoal de IA empresarial chamado Microsoft Scout, desenvolvido no âmbito do Project Lobster e apresentado inicialmente a funcionários em Redmond, Washington. A iniciativa começou quando Omar Shahine criou, em seu tempo livre, o protótipo Lobster baseado em OpenClaw, e evoluiu para um esforço maior que incluiu Jakob Werner e outros colaboradores internos.
Origem e primeiros protótipos
Shahine montou o assistente pessoal Lobster com identidade própria — Apple ID e e‑mail — para enviar mensagens via iMessage e dividir tarefas domésticas e logísticas. No começo, o sistema foi organizado em três agentes com perfis de segurança distintos; semanas depois, o número cresceu para nove agentes ativos. Após apresentar o projeto ao AI Accelerator da Microsoft, Shahine assumiu um novo papel para levar as ideias do Project Lobster ao M365 e à nuvem.
Paralelamente, Jakob Werner criou internamente o Clawpilot, um agente em formato de aplicativo de desktop inspirado em OpenClaw, com a proposta de oferecer um assistente seguro e acessível para empregados da empresa. Conforme a ideia se expandiu, milhares de funcionários passaram a testar os protótipos.
Cultura de desenvolvimento e código aberto
O time do Project Lobster adotou um modelo colaborativo e assíncrono, com ampla participação na base de código e revisão por pull requests. Segundo os envolvidos, a equipe recebeu muitas contribuições e precisou manter o foco no objetivo central: construir um agente pessoal sempre ativo para o trabalho, capaz de aprender objetivos, adaptar‑se a padrões diários e agir com contexto para evitar bloqueios em decisões e agendas.
A prática de revisar PRs e orientar colaboradores foi destacada como parte do processo para manter a qualidade do produto, conforme observado por Werner.
De experimento a produto pronto para empresas
O resultado desse trabalho interno foi o Microsoft Scout, um agente que opera com identidade própria e age em nome do usuário. O serviço funciona na nuvem, no desktop e no navegador, integrando‑se a superfícies como Teams, Outlook, OneDrive e SharePoint, além de acessar e administrar e‑mail, calendário e contatos.
Para atender requisitos empresariais, o produto combina o código OpenClaw com controles de identidade, governança e segurança. Cada pacote é processado por uma cadeia de fornecimento Microsoft selecionada e assinada, e cada chamada a ferramenta, solicitação de modelo e salto de rede é mediado por um tempo de execução de confiança zero. Com Agent 365, administradores dispõem de um plano de controle unificado, e o Microsoft Purview oferece sinais de conformidade e DLP às equipes de segurança.
Werner afirmou que era preciso equilibrar poder funcional com governança de dados e privacidade, para evitar exposições indevidas de informações pessoais e permitir usos empresariais controlados.
O papel da memória agêntica
Para que um agente sempre ativo seja útil, ele precisa ser proativo e contar com contexto. O time descreve essa capacidade como dependente de um Work IQ que permite ao agente entender como as pessoas trabalham e usar ferramentas de produtividade para reduzir tarefas repetitivas.
A memória agêntica foi identificada como um ponto crítico. Conforme Shahine e Werner, o sistema precisa lembrar informações úteis e também esquecer dados irrelevantes ao longo do tempo. Werner explicou que projetou camadas de memória que persistem quando usadas com frequência e desaparecem se não forem reutilizadas, evitando um registro infinito de informações estáticas.
Atração de colaboradores e crescimento
Werner apresentou a ideia de “gravidade” como um quadro para atrair contribuições: construir funcionalidades com influência suficientemente grande para que novos colaboradores queiram integrar‑se ao trabalho em vez de dispersá‑lo. Shahine relatou ter recebido centenas de mensagens de pessoas interessadas em participar e clientes perguntando quando poderão acessar as ferramentas.
Disponibilidade e testes com clientes
Os funcionários da Microsoft já usam uma experiência inicial de desktop do Microsoft Scout para avaliar como agentes sempre ativos atuam em tarefas reais, como coordenação de agendas e detecção de riscos. A ferramenta está sendo disponibilizada como versão experimental para organizações inscritas no programa Frontier, mediante configuração de políticas de Intune, certificação opt‑in e licença do GitHub Copilot para instalação.
A iniciativa segue como um esforço de pesquisa e produto, com atenção à segurança empresarial, governança de dados e evolução da memória agêntica.
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