Usinas do Distrito Federal transformam parte do lixo domiciliar em recicláveis e composto orgânico, além de gerar trabalho e renda para cooperados.
As usinas de tratamento mecânico biológico (UTMB) do Distrito Federal processaram, nos seis primeiros meses de 2026, mais de 127 mil toneladas de resíduos, recuperaram 4,2 mil toneladas de materiais recicláveis e produziram 4,7 mil toneladas de composto orgânico, segundo dados do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). O material orgânico é destinado principalmente a produtores rurais da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride) e a órgãos públicos.
Operação e desempenho das unidades
As unidades atuam como complemento ao envio para o Aterro Sanitário de Brasília e reduzem a quantidade de resíduos encaminhados ao aterro. A UTMB de Ceilândia foi a que processou o maior volume no período, com mais de 80 mil toneladas e recuperação de aproximadamente 3 mil toneladas de recicláveis. A UTMB da Asa Sul processou 47 mil toneladas e recuperou 1,2 mil toneladas de materiais recicláveis.
Na UTMB da Asa Sul os resíduos passam por etapas de separação manual e mecânica. Com apoio das cooperativas, os materiais recicláveis são retirados antes que a fração orgânica siga para a UTMB do P Sul, onde ocorre a produção do composto orgânico. Atualmente, duas cooperativas atuam na unidade: Renove, com 98 catadores; e Cooperlimpo, com 60 trabalhadores.
O funcionamento das usinas, de acordo com o SLU, também gerou emprego e renda para 147 cooperados que atuam nas unidades. Melhorias operacionais implementadas após a efetivação do contrato nº 20/2021 ampliaram a capacidade de processamento e reduziram interrupções nas atividades. As licenças de operação foram atualizadas junto ao Brasília Ambiental.
Uma nova utilidade
O composto orgânico produzido pelo SLU é doado majoritariamente a produtores rurais da Ride e a órgãos públicos. Em 2025, a iniciativa beneficiou 512 agricultores, contribuindo para redução de custos de produção e para o fortalecimento da oferta de alimentos na região.
O diretor-presidente do SLU, Luiz Felipe Carvalho, afirmou: “Cada tonelada de composto produzida significa menos impacto ambiental e mais apoio à agricultura familiar, fortalecendo a segurança alimentar e a qualidade de vida da população”. Ele acrescentou que as usinas criam oportunidades para os catadores, apoiam produtores rurais e entregam ganhos concretos para a sociedade.
As UTMBs integram a estratégia prevista no Plano Distrital de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PDGIRS), com objetivo de aumentar a vida útil do aterro sanitário e recuperar materiais recicláveis.
Destinação correta
O SLU destaca que a população tem papel fundamental para a eficiência das usinas, pois a qualidade dos resíduos recebidos influencia os processos de triagem, compostagem e recuperação. A principal forma de contribuição é separar corretamente o lixo na origem: destinar materiais recicláveis à coleta seletiva e encaminhar orgânicos e rejeitos à coleta convencional.
Outras recomendações incluem não misturar pilhas, baterias, lâmpadas, eletrônicos e outros materiais que exigem destinação específica ao lixo comum; retirar resíduos orgânicos de embalagens plásticas antes do descarte; manter tampas junto às garrafas recicláveis; embalar vidros quebrados; evitar uso excessivo de sacolas para acondicionar orgânicos; respeitar horários de coleta; e reduzir desperdício quando possível. Conforme o SLU, quanto melhor a separação e o acondicionamento nas residências, maior será a recuperação de recicláveis e a produção de composto orgânico.
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