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Distrito Federal

IPEDF lança estudo sobre valorização de produtos florestais não madeireiros do Cerrado e aponta potencial econômico e desafios

30 de junho de 2026
IPEDF lança estudo sobre valorização de produtos florestais não madeireiros do Cerrado e aponta potencial econômico e desafios
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Projeto mapeia espécies nativas do Cerrado e propõe caminhos para integrar conservação e geração de renda.

O Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) lança nesta terça-feira (30) o projeto “Caminhos da Restauração: Valoração de Produtos Florestais Não Madeireiros do Cerrado”, desenvolvido com apoio e financiamento da Secretaria do Meio Ambiente (Sema-DF) e do Fundo Único de Meio Ambiente (Funam). O estudo apresenta levantamentos sobre a sociobiodiversidade do Cerrado e propostas para fortalecer cadeias produtivas relacionadas a produtos florestais não madeireiros.

Potencial das espécies nativas

A pesquisa identifica que espécies como baru, pequi, buriti, mangaba, jatobá e cagaita têm potencial econômico, nutricional e sociocultural, podendo diversificar a produção rural e fortalecer a agricultura familiar. Segundo o levantamento, esses produtos podem ampliar estratégias de bioeconomia no DF e na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF).

Os estudos destacam que os produtos do Cerrado são uma oportunidade para promover inclusão produtiva e estimular mercados locais, ao mesmo tempo em que contribuem para a recuperação de áreas degradadas e para o desenvolvimento sustentável.

“O projeto reforça uma visão que norteia as ações da Sema-DF: o Cerrado em pé vale mais do que o Cerrado desmatado”, afirma Rafael Santana, secretário do Meio Ambiente. “Quando conseguimos demonstrar, com dados técnicos, que produtos como o baru e o pequi geram renda e ao mesmo tempo conservam o bioma, abrimos caminho para políticas públicas mais efetivas e para um desenvolvimento que não tem o meio ambiente como obstáculo, mas como aliado.”

Manoel Barros, diretor-presidente do IPEDF, destaca que o instituto tem papel em transformar conhecimento técnico em políticas públicas: “O papel do IPEDF é produzir conhecimento que ajude o poder público a transformar esse potencial em políticas capazes de gerar renda, promover inclusão produtiva e preservar os recursos naturais para as próximas gerações”.

Desafios para consolidar cadeias produtivas

Apesar do potencial, o estudo aponta obstáculos que dificultam a consolidação das cadeias. Entre os principais problemas estão a sazonalidade da produção, limitações logísticas, dificuldades de armazenamento e beneficiamento, baixa padronização da oferta, dependência de atravessadores e a ausência de informações sistematizadas sobre produção e comercialização.

O relatório chama atenção para a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à sociobiodiversidade e criar mecanismos que favoreçam a inserção desses produtos em mercados institucionais, segundo os autores da pesquisa.

“Ao identificar o potencial econômico das espécies nativas e os principais desafios das cadeias produtivas, o estudo contribui para orientar ações que ampliem oportunidades para produtores, fortaleçam a agricultura familiar e incentivem a conservação do Cerrado por meio da inserção de seus frutos e produtos nas compras públicas distritais, especialmente na alimentação escolar, onde o DF possui lei para inserção e capacidade de implantação”, afirma Aline da Nóbrega, coordenadora de Estudos Ambientais do IPEDF.

Restauração produtiva e modelo agroflorestal

Um dos destaques do projeto é a análise econômica de um sistema agroflorestal composto por baru, banana e café, apresentado como exemplo de restauração produtiva. A simulação considerou área de um hectare e horizonte de avaliação de 30 anos, utilizando indicadores financeiros como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Retorno sobre o Investimento (ROI).

No modelo, o baru foi implantado em espaçamento de 10 metros por 10 metros. A banana ocupa as entrelinhas nos primeiros anos, oferecendo retorno econômico mais rápido e contribuindo para a geração de biomassa. A partir do quinto ano, o café integra o arranjo produtivo, ampliando possibilidades de renda até que o baru atinja plena capacidade produtiva.

Os resultados indicam que sistemas agroflorestais podem combinar benefícios ambientais e econômicos, favorecendo a conservação do solo, o aumento da biodiversidade e a diversificação da produção.

Alimentação escolar e compras públicas

O estudo também avalia a participação de produtos do Cerrado em compras públicas, com foco nos programas de alimentação escolar. De acordo com o levantamento, iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) podem estimular a produção local e aumentar a presença da sociobiodiversidade em mercados institucionais.

Ainda assim, persistem desafios nas áreas de adequação sanitária, estruturação das cadeias e criação de mecanismos específicos para favorecer a participação desses produtos em editais e chamadas públicas.

“Os resultados da pesquisa Caminhos da Restauração são um farol para o futuro das políticas públicas”, afirma Werner Bessa, diretor de Estudos e Políticas Ambientais e Territoriais do IPEDF. “Ao evidenciar o valor dos produtos florestais não madeireiros e seu potencial de inserção na alimentação escolar, no desenvolvimento regional e na preservação do Cerrado, unimos ciência e bioeconomia para transformar conhecimento técnico em impacto social.”

Veja o sumário da publicação: https://online.fliphtml5.com/caracterizacao/sagc/#p=1

Com informações do IPEDF

Assuntos nesse artigo:
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