Projeto Esmam nas Escolas apresentou direitos e deveres do ECA com intérpretes de Libras no Instituto Filippo Smaldone.
A Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam) realizou, na última sexta-feira (24/07), a palestra “O Estatuto da Criança e do Adolescente” no Instituto Filippo Smaldone, em Manaus, conduzida pelo juiz Marcelo Cruz. A atividade foi destinada a estudantes surdos e com deficiência auditiva e contou, durante toda a apresentação, com intérpretes de Libras da Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade do Tribunal de Justiça do Amazonas.
Em uma abordagem dinâmica e interativa, os alunos tiveram acesso aos direitos e deveres previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente por meio de conversa informal, vídeos educativos e um momento para esclarecimento de dúvidas com o magistrado. Conforme a programação do Projeto Esmam nas Escolas, o objetivo foi promover educação jurídica e acessibilidade à informação.
Participação da comunidade escolar e tradução em Libras
Segundo a organização, a presença de intérpretes de Libras foi adotada para garantir que o conteúdo fosse transmitido de forma acessível e inclusiva. O evento ocorreu no Instituto Filippo Smaldone, escola filantrópica católica de educação especial que adota o ensino bilíngue (Libras e Português) voltado à inclusão e reabilitação de crianças e adolescentes surdos ou com deficiência auditiva.
Durante a palestra, o juiz Marcelo Cruz afirmou: “Estou muito feliz por poder vir compartilhar com eles uma educação voltada para os direitos que possuem e que, muitas vezes, lhes são negados. A partir de agora, eles estão mais conscientes, conhecem melhor esses direitos e poderão exigi-los ao longo de toda a vida”.
A coordenadora do Instituto, Giselia Alves, destacou a importância de iniciativas que levam informação e conscientização aos estudantes: “A iniciativa de vocês é muito importante, porque deixa para eles o sentimento de que alguém olha, alguém cuida e leva informações importantes. Eles precisam saber que são pessoas que têm direitos e que esses direitos precisam ser respeitados. Agradeço à Esmam por esse momento esclarecedor. Nosso instituto está de portas abertas para receber ações como essa, que ajudam na formação de crianças e adolescentes como cidadãos conscientes.” Conforme Giselia, a proposta bilíngue valoriza a língua natural da pessoa surda e amplia suas oportunidades de participação social.
Ensino bilíngue e legado do Instituto
O Instituto Filippo Smaldone tem 42 anos de atuação em Manaus nas áreas de educação, assistência e saúde para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. A instituição adota a Libras como primeira língua e o português como segunda, com enfoque no desenvolvimento educacional e na inclusão.
Giselia Alves afirmou que o principal legado do instituto é formar cidadãos preparados para exercer direitos e deveres: “Nós trabalhamos para que o aluno surdo, a pessoa com deficiência auditiva, consiga se realizar como um todo, tornando-se um cidadão completo, com direitos e deveres. Temos muitos ex-alunos que ingressaram na faculdade, se formaram e hoje atuam profissionalmente na sociedade. São pessoas que constituíram suas famílias e vivem com autonomia. Esse é o legado do Instituto: entregar à sociedade cidadãos capazes de viver plenamente e exercer sua cidadania com honestidade”.
No encerramento da atividade, a aluna Jhemily Andrade, de 16 anos, disse: “Foi muito bom. Hoje tivemos um aprendizado importante e me senti bem acolhida. Espero que haja mais projetos como esse, com informações acessíveis sobre temas importantes. Muitas famílias ainda enfrentam dificuldades de comunicação, então foi muito importante receber essas orientações aqui, porque elas ajudam a ampliar o nosso conhecimento”.
A fotografia que ilustra a matéria mostra o interior de uma sala com várias crianças uniformizadas sentadas em cadeiras vermelhas, com a imagem das crianças desfocada. Em primeiro plano aparece detalhe de um banner nas cores verde e branca com a inscrição “Esmam nas Escolas” e a logomarca da Escola Superior da Magistratura do Amazonas.
Texto: Rebeca Artiagas | Supervisão e edição: Ramiro Neto
Fotos: Raphael Alves
Revisão gramatical: Eliza Maria Luchini
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