Consolidação da Mostra Brasília transforma-a em espaço permanente do Festival de Brasília e concentra produções do Distrito Federal.
O Troféu Câmara Legislativa, criado em 1996 pela CLDF, garante a presença da Mostra Brasília na programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorre de 11 a 19 de setembro, e mantém espaço específico para filmes do Distrito Federal no Cine Brasília. A mostra será realizada, em 2026, de 14 a 18 de setembro, com início às 18h e entrada franca, no Cine Brasília.
Histórico e função do prêmio
Segundo o jornalista e cineasta Sérgio Moriconi, autor de Apontamentos para uma história, o Troféu Câmara Legislativa foi desde seu surgimento uma premiação relevante para o cinema brasiliense. Moriconi registra que, na década de 1990, o aumento de realizadores e de títulos do DF levou à criação da Mostra Brasília como resposta à pressão por mais espaços de exibição.
De acordo com os primeiros regulamentos, todo filme do Distrito Federal exibido na competição principal ou em mostras paralelas concorria automaticamente ao Troféu Câmara Legislativa. O crescimento do número de obras exigiu, no entanto, a formação de uma comissão de seleção própria e de um júri oficial para julgar os concorrentes à premiação da CLDF.
Em 1998, Moriconi foi vencedor do Troféu Câmara Legislativa com o curta Athos, sobre o artista Athos Bulcão, na terceira edição do prêmio. O autor ressalta que exibir filmes durante o festival, no Cine Brasília, seguiu sendo um objetivo dos realizadores da cidade.
Programação do festival e títulos do Distrito Federal
Além dos 15 títulos — quatro longas e onze curtas-metragens — que disputarão o 28º Troféu Câmara Legislativa, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro exibirá outras produções do Distrito Federal ou ligadas a Brasília. Na competição nacional de longas está Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira, e na de curtas figura Gastronomia do Olho, dirigido por Nicolau.
Sessões especiais programam Histórias de Terror e Delicadeza, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório; A Última Diária, de Marcelo Pelúcio e Zefel Coff; e Música Secular, de Emanuel Lavor. O diretor Jimi Figueiredo já havia vencido o Troféu Câmara Legislativa na categoria curta-metragem com Verdadeiro ou Falso (2009) e na 16ª edição com o longa Cru (2011).
Na sessão “História(s) Do Cinema Brasileiro — Clássicos” está Brasília Segundo Feldman, de Vladimir Carvalho, além de outros filmes do documentarista. Vladimir Carvalho venceu o prêmio na categoria longa-metragem na 5ª edição com Barra 68 – Sem Perder a Ternura e na 11ª edição com O Engenho de Zé Lins, e foi premiado na 21ª edição por direção e roteiro com Cícero Dias: o Compadre de Picasso. A despedida de Vladimir Carvalho, morto em 2024, é tema de Adeus, Brasília, de Moacir Macedo, na sessão “História(s) Do Cinema Brasileiro – Contemporâneos”.
O projeto Preservação do Acervo Filmográfico do Arquivo Público do Distrito Federal: Pesquisa, Tratamento e Digitalização apresentará imagens clássicas do Parque Rogério Pithon Farias (atual Parque da Cidade Sarah Kubitschek) e trechos de registros amadores e cinejornais. A sessão “Premiere DF” exibirá Brasifilia, de Francenilton Klava, e Jornada nas Estrelas, de Angelo Pignaton.
O filme O Verão da Lata, dirigido por Santiago Dellape — integrante do júri do 28º Troféu Câmara Legislativa — será exibido na solenidade de encerramento do 59º Festival de Brasília. O festival será aberto, nesta sexta-feira (11), com o curta Brasília – Planejamento Urbano, documentário de 1964, dirigido por Fernando Coni Campos (1933-1988), e com o longa A Pele Morta, codirigido por Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres.
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