Oficina reuniu servidores e comunidade para discutir identificação, canais de denúncia e escuta ativa.
A Ouvidoria Regional do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) promoveu um workshop sobre assédio moral, assédio sexual e discriminação na última sexta-feira (21), no Fórum Trabalhista de Manaus (FTM). O evento reuniu servidores, magistrados, representantes de órgãos públicos, estudantes de Direito e outros interessados para discutir formas de identificação, canais de denúncia e a importância da escuta ativa nas relações institucionais.
Abertura e posicionamentos institucionais
Na abertura, o presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, fez um alerta sobre o combate ao assédio eleitoral no período que antecede as eleições gerais. Ele afirmou que o Tribunal e o Ministério Público do Trabalho (MPT) têm a missão de coibir práticas de coerção no ambiente laboral. “O voto tem que ser seguro, como livre da vontade íntima do legislador. Combater o assédio eleitoral, que acontece às vezes na surdina, nos interiores das empresas, das fábricas, das indústrias, onde a parte mais forte, em relação ao capital, tenta exercer sua influência financeira para conduzir o voto do eleitor. Isso não podemos permitir.”
A ouvidora regional, desembargadora Ormy da Conceição Dias Bentes, ressaltou o papel da Ouvidoria Regional como espaço de escuta qualificada e suporte, além de canal de denúncias. Segundo a magistrada, “as portas da ouvidoria são abertas, não só para reclamações ou denúncias, mas também para o acolhimento”. Ela reconheceu que “a caminhada é longa” e que as medidas protetivas ainda não têm o efeito desejado, mas afirmou: “Mas vamos lutar. Essa luta é grande, é gigante, e vamos chegar lá.”
Conteúdo e metodologia do workshop
A professora doutora Rosane Teresinha Carvalho Porto abriu a atividade com a frase: “Falar, ser ouvido e ser acreditado não são a mesma coisa.” Ela explicou que a discriminação atravessa o assédio e se manifesta por marcadores sociais como gênero, raça e classe. “A discriminação é um fator, uma prática que marca o assédio. Seja por gênero, seja por raça e também classe”, disse, citando Angela Davis.
Rosane Porto destacou ainda que um mesmo caso pode envolver assédio moral, assédio sexual e discriminação, e propôs uma mudança de abordagem ao perguntar não mais “o que ia acontecer?” mas “o que aconteceu?”. Para análise prática, apresentou a dinâmica da “Árvore da problematização”, que organiza camadas do problema do solo (cultura institucional) aos frutos (consequências). Os participantes aplicaram a ferramenta em casos concretos e compartilharam suas análises.
Entre as autoridades presentes estavam parceiros da Ouvidoria do TRT-11: o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Amazonas (CRCAM), André de Medeiros Caria; a vice-presidente de Administração do CRCAM, Joseny Gusmão da Silva; e a diretora da Ouvidoria da Mulher do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Ana Paula Machado Andrade de Aguiar.
Confira o álbum de fotos do evento AQUI: https://www.flickr.com/photos/trt11/albums/72177720335245008/with/55478952724
Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Jonathan Ferreira
Fotos: Michael Dantas
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