Especialistas e paciente explicam sintomas, diagnóstico por colonoscopia e mudanças de hábitos.
O intestino, além de processar alimentos, influencia o sistema imunológico, o metabolismo e o bem-estar. Doenças que provocam inflamação nessa região podem causar dor abdominal, diarreia, gases, estufamento abdominal e refluxo, e exigem avaliação médica quando os sinais persistem. Segundo o endoscopista do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Luciano Ambrosini, as condições se dividem em inflamações do intestino grosso, chamadas colites, e do intestino delgado, conhecidas como enterites.
Atenção aos sinais
As manifestações variam entre pacientes, mas alguns sintomas merecem investigação. Dor abdominal que não cede com medicamentos comuns, episódios frequentes de diarreia e alterações no funcionamento intestinal são exemplos. Ambrosini alerta: “É importante procurar avaliação médica quando a diarreia se torna persistente, principalmente se houver presença de muco ou sangue nas fezes. Esses são indícios que precisam ser investigados”.
O diagnóstico costuma ser confirmado por meio de exames específicos, como a colonoscopia, que permite visualizar o interior do trato intestinal e identificar alterações. A investigação é conduzida por gastroenterologistas, clínicos gerais ou internistas, que solicitam exames conforme os achados iniciais.
Mudança de hábitos
O enfermeiro Sérgio Barbosa descobriu recentemente que tinha uma doença inflamatória intestinal após buscar atendimento por desconforto abdominal e estufamento. “O que mais me incomodava era a barriga estufada. Nunca imaginei que pudesse estar relacionada a uma inflamação intestinal”, disse ele. Há cerca de um mês, iniciou tratamento e adotou alterações na rotina, incluindo prática de exercícios e mudanças na alimentação, com corte de refrigerantes, massas, carne vermelha e açúcar.
Além do tratamento medicamentoso, recomenda-se manter alimentação rica em fibras, consumo diário de frutas, verduras e legumes, hidratação regular, atividade física e redução do consumo de ultraprocessados, tabaco e álcool. Sintomas persistentes devem ser avaliados por profissional de saúde.
Impactos além da digestão e acesso aos serviços
No curto prazo, as doenças podem provocar cansaço, sonolência, falta de energia, inchaço corporal e dificuldade para controlar o peso. A longo prazo, o desequilíbrio intestinal pode favorecer o surgimento de doenças autoimunes e outras condições crônicas.
O acesso ao atendimento começa pelas unidades básicas de saúde (UBSs), que realizam avaliações iniciais e encaminham para consultas e exames especializados. Depois dessa etapa, as solicitações são inseridas no Sistema de Regulação (Sisreg).
Ambrosini reforça a importância de procurar atendimento sempre que os sintomas persistirem ou interferirem na rotina. “Cuidar do intestino é investir na saúde de todo o organismo. Afinal, quando ele funciona bem, o corpo inteiro sente os benefícios”, conclui o especialista.
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