Pequenas alterações na rotina alimentar ajudam a manter o equilíbrio do intestino e reduzir processos inflamatórios.
A nutricionista Bruna Pires, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vicente Pires, alerta que uma dieta rica em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados, associada à baixa ingestão de fibras, pode alterar a comunidade de microrganismos do intestino e favorecer processos inflamatórios relacionados a obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Segundo a especialista, mudanças simples na rotina já promovem benefícios relevantes à saúde intestinal.
Como o desequilíbrio é formado
Bilhões de microrganismos vivem no intestino e participam da digestão, da absorção de nutrientes e da proteção contra doenças. Conforme Bruna Pires, quando a base da alimentação é composta por ultraprocessados, o número de bactérias benéficas tende a reduzir e outras espécies que estimulam inflamações podem crescer, prejudicando a proteção natural do intestino.
Os sinais desse desequilíbrio nem sempre são intensos no início, mas podem aparecer como inchaço abdominal, excesso de gases, prisão de ventre ou diarreia, desconforto após as refeições, sensação constante de cansaço e maior frequência de infecções. Bruna afirma que esses sintomas merecem atenção porque indicam que o intestino e o organismo já sofrem consequências.
Alimentos e recomendações práticas
A nutricionista ressalta que preservar a saúde intestinal pode ser acessível. O tradicional prato com arroz, feijão, verduras e legumes continua sendo recomendado, assim como o consumo de frutas, aveia, cereais integrais e azeite de oliva. Alimentos como iogurte natural e kefir, bebida probiótica fermentada, também ajudam a manter o equilíbrio das bactérias benéficas. Bruna recomenda que o uso de probióticos seja feito com orientação médica ou nutricional.
Para orientar escolhas, a especialista cita a classificação Nova, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) e adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com essa classificação, devem ser priorizados alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, carnes, ovos, leite e cereais integrais. Ingredientes culinários, como óleo, manteiga, açúcar e sal, devem ser usados com equilíbrio. Alimentos processados, como queijos, pães e conservas, podem ser consumidos com moderação, enquanto os ultraprocessados devem ter o consumo reduzido.
Relato de mudança de hábitos
A empresária Samila Espíndola, de 31 anos, relata que cresceu consumindo alimentos industrializados e percebeu ao longo dos anos que o corpo passou a reagir pior a esse padrão alimentar. Ela diz que, ao reduzir o consumo de ultraprocessados, sentiu melhora significativa em seu organismo.
Bruna Pires destaca que cuidar da alimentação não significa abrir mão do prazer de comer, mas fazer escolhas mais conscientes na maior parte do tempo. Substituir refrigerantes por água, incluir uma fruta entre as refeições, trocar alimentos refinados por integrais e aumentar o consumo de legumes e verduras são atitudes que, mantidas ao longo dos anos, ajudam a proteger o intestino e reduzem o risco de doenças relacionadas à inflamação.
“Cada refeição oferece uma oportunidade de fortalecer o organismo, preservar a saúde e construir um futuro com mais qualidade de vida”, afirma a nutricionista.
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