Especialista do HBDF orienta sobre tempo e temperatura do banho e cuidados para reduzir ressecamento e riscos cardiovasculares no inverno.
Danubia Michetti Sasaki, alergista e imunologista do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) — unidade gerida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) —, afirma que banhos muito quentes nesta época do ano podem agravar o ressecamento da pele e provocar alterações na pressão arterial. Segundo a médica, a água em temperatura elevada remove a camada lipídica protetora da pele e promove vasodilatação, com efeitos imediatos na pele e no sistema circulatório.
Efeitos na pele
A pele tem uma barreira natural que conserva a hidratação e protege contra agentes externos. Quando exposta a água muito quente, essa camada protetora é removida com mais facilidade, deixando o tecido mais sensível. Os sintomas costumam surgir rapidamente e incluem coceira, descamação, ardência e aspecto esbranquiçado.
“Os banhos quentes e prolongados estão entre os principais gatilhos para crises de dermatite atópica e episódios de coceira intensa”, diz Danubia Michetti Sasaki. A especialista recomenda optar por banhos rápidos, com água morna, usar sabonetes adequados e aplicar hidratante após o banho.
O ressecamento intenso pode provocar pequenas rachaduras na pele, facilitando a entrada de bactérias e fungos e elevando o risco de infecções. Pessoas com doenças dermatológicas, como dermatite atópica, psoriase e alergias cutaneas, tendem a sofrer mais com esses efeitos. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), a dermatite atópica afeta até uma em cada cinco crianças e cerca de 3% dos adultos brasileiros.
Efeitos na pressão arterial
A água em temperatura elevada causa vasodilatação, o que pode reduzir a pressão arterial e aumentar os batimentos cardíacos. Essa alteração pode provocar tontura, sensação de fraqueza, mal-estar e até desmaios, principalmente em idosos e pessoas com pressão naturalmente baixa. Danubia alerta também para o choque térmico ao sair de um ambiente aquecido para outro mais frio, que pode elevar a pressão arterial de forma repentina.
Para reduzir os riscos, a médica recomenda que os banhos tenham duração máxima de dez minutos e sejam feitos com água morna, próxima à temperatura corporal. O uso de sabonetes deve ser moderado, concentrando-se nas axilas, pés e região íntima.
Orientações práticas e quando procurar atendimento
Medidas simples ajudam a prevenir problemas de saúde nos meses mais frios: ajustar a temperatura da água, evitar longos períodos sob o chuveiro e manter a hidratação ao longo do dia. A ingestão de água deve ser mantida mesmo sem sensação de sede, e é recomendado evitar esfregar a pele com força durante a secagem.
Pessoas que apresentarem coceira intensa, descamação, rachaduras na pele ou episódios frequentes de tontura e mal-estar devem procurar avaliação médica em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência. Após consulta e exames, se necessário, o paciente poderá ser encaminhado para atendimento especializado.
Cuidados simples que ajudam a proteger a saúde no inverno:
– Prefira banhos mornos e rápidos;
– Evite o uso excessivo de sabonetes, especialmente os muito perfumados;
– Aplique hidratante logo após o banho;
– Mantenha a ingestão de água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede;
– Evite esfregar a pele com força durante a secagem;
– Redobre a atenção com crianças, idosos e pessoas com doenças dermatológicas.
Com informações do IgesDF
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