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Distrito Federal

Hospital da Criança de Brasília acompanha adolescentes com Liraglutida no tratamento da obesidade

13 de junho de 2026
Hospital da Criança de Brasília acompanha adolescentes com Liraglutida no tratamento da obesidade
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Hospital da Criança de Brasília acompanha crianças e adolescentes com obesidade e prepara uso da Liraglutida desde a triagem aos 11 anos.

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) acompanha crianças e adolescentes diagnosticados com obesidade e, segundo a coordenadora de Endocrinologia, Ana Cristina Bezerra, inicia triagem aos 11 anos para avaliar a necessidade do tratamento com Liraglutida. O acompanhamento é realizado no Distrito Federal e reúne equipe multidisciplinar para pacientes que não obtiveram sucesso em outras abordagens e podem receber a caneta autorizada pelo Ministério da Saúde para o público pediátrico.

Critérios para indicação e início do tratamento

Conforme a equipe do HCB, o acompanhamento é voltado a pacientes acima de 11 anos que apresentem comorbidade, estejam acima de 60 kg e tenham possibilidade de fazer o tratamento com Liraglutida. Como o uso das canetas é autorizado a partir dos 12 anos, a equipe começa o seguimento com antecedência para confirmar necessidade e iniciar a medicação na idade correta.

A coordenadora afirma: “Começamos a triagem do paciente aos 11 anos porque, se ele conseguir melhorar a alimentação, talvez não precise usar. Começamos a prepará-lo aos 11 anos – sendo que já devia ser preparado desde o nascimento”.

Como funciona a medicação e a liberação

O hormônio GLP-1, produzido no intestino, ajuda no esvaziamento gástrico e dá sensação de saciedade. A Liraglutida é análoga a esse hormônio e contribui para a redução da quantidade de alimento ingerido pelo paciente. Bezerra esclarece que a obesidade decorre do excesso de calorias e do desequilíbrio entre ingestão e gasto energético.

No Distrito Federal, a Liraglutida é disponibilizada pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, conhecido como Farmácia de Alto Custo. A liberação exige receita de endocrinologista e verificação de uma série de exames. Após a retirada, profissionais da Farmácia de Alto Custo orientam sobre a aplicação das canetas; a equipe de endocrinologia do HCB mantém esclarecimentos durante as consultas.

Acompanhamento clínico e suspensão do tratamento

O tratamento começa com doses baixas para controlar efeitos como refluxo ou náusea. A resposta ao medicamento é monitorada e os resultados precisam ser comunicados à Farmácia de Alto Custo. Bezerra alerta que, se o paciente não perder peso de forma adequada, “a medicação vai ser suspensa. É importante que faça direito, para ter acesso”.

A médica reforça que, mesmo quando há perda de peso, a caneta não representa cura: “É uma doença crônica, então o tratamento é crônico. O paciente vai ter que manter alimentação saudável, atividade física, para o resto da vida”.

Relato de paciente e mudança de hábitos

Sthefany Lopes, 17 anos, está em tratamento no HCB desde os 12 e iniciou o uso da Liraglutida em março. Ela relata que, antes da medicação, apenas dieta e atividade física não foram suficientes para manter a perda de peso. A tia, Jassuele Gonçalves, que acompanha as consultas, comenta que preferiu o tratamento para obesidade a uma intervenção por outras comorbidades.

Hoje, Sthefany segue orientações nutricionais e faz atividades regulares. A mudança é acompanhada por médicos gastroenterologistas quando há alteração hepática, além de consultas com nutricionistas e psicólogos agendadas conforme necessidade.

Abordagem psicológica e nutricional

Segundo a psicóloga Milena Lima, do HCB, a integração entre áreas é necessária para avaliar os vários impactos da obesidade. Ela aponta a adolescência como fase de mudanças e destaca questões de autoimagem e pressões sociais que podem dificultar adesão ao tratamento.

A nutricionista Ana Rosa Arruda considera a base alimentar brasileira — arroz, feijão e carne — positiva do ponto de vista proteico, mas ressalta a necessidade de incluir frutas, verduras e leguminosas para vitaminas e minerais. Ela chama atenção para a “desnutrição invisível” e orienta as famílias sobre o que deve ser acrescentado na dieta.

Orientações gerais para a população

De acordo com o HCB, medidas recomendadas para uma vida mais saudável incluem: fazer de cinco a seis refeições diárias com intervalos de cerca de três horas; incluir saladas e verduras cozidas; evitar alimentos ultraprocessados; manter hidratação adequada; praticar atividade física regularmente; e estimular o aleitamento materno nos primeiros meses de vida.

Com informações do HCB

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