Primeira escola rural bilíngue de japonês de Brasília passa a ofertar disciplina extracurricular em 2026.
O Centro Educacional (CED) Incra 8 de Brazlândia passou a oferecer um curso de japonês em 2026 para alunos do ensino médio integral, conforme parceria entre a Secretaria de Educação (SEEDF) e a Fundação Japão por meio do Programa de Educação Bilíngue Intercultural (Pebi). As aulas são ministradas às segundas e quintas-feiras pela manhã e 75 estudantes participam das atividades em um universo de aproximadamente 1.200 alunos da escola, que fica em Brazlândia, Distrito Federal.
Parceria e implantação
A Embaixada do Japão buscou escolas para iniciar a parceria, segundo a diretora Solange da Cunha. A visita a unidades da rede pública apontou demanda na comunidade e entre os estudantes, o que motivou a oferta do curso como atividade extracurricular. Embora as turmas formais tenham sido instituídas em 2026, a escola já realizava outras ações voltadas ao contato com a cultura japonesa.
Professor e trajetória
O curso é ministrado por Gabriel Akito, 25 anos. Gabriel chegou ao CED em 2014, no oitavo ano do ensino fundamental, sem falar português. Ele aprendeu a língua na própria escola, fez vestibular para Letras Japonês na Universidade de Brasília e, após ser aprovado em concurso, voltou como professor da rede. Conforme relato da direção, essa trajetória ilustra a relação pessoal do docente com a instituição.
Intercâmbio cultural e objetivos
Para o professor, a formalização do ensino bilíngue beneficia os descendentes de japoneses e amplia o intercâmbio cultural na escola. “Para os descendentes, é importante porque eles se sentem mais pertencentes a uma comunidade que entende e integra uma cultura que não é muito tratada aqui no Brasil. Para os alunos, aprender mais cedo uma língua diferente melhora a habilidade de aprendizagem caso queiram estudar novos idiomas futuramente”, afirma Gabriel.
A diretora destaca também o papel da escola rural em responder às demandas do campo. Natural de São Mateus, no Maranhão, Solange está no Distrito Federal desde os 2 anos de idade e dirige o CED Incra 8 há 22 anos. Ela afirma que a colônia japonesa em Brazlândia é numerosa e que a oferta do curso atendeu pedidos da comunidade. “A colônia japonesa é muito grande em Brazlândia, e nós não dávamos conta de atender aos pedidos dela. Quando surgiu a ideia do curso, os alunos e a comunidade ficaram maravilhados”, diz Solange.
Solange explica que, desde o sexto ano, a escola estimula a participação dos estudantes em eventos que aproximem a comunidade escolar da cultura nipônica e fomente projetos sobre cultura e arte. Para ela, o contato com hábitos e costumes de outros países torna as pessoas mais compreensivas e receptivas. Segundo a diretora, a iniciativa contribui para que a escola tenha maior integração com a comunidade local: “Tem muita coisa boa acontecendo. A escola está mais viva do que nunca.”
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