Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni passa por obras que renovaram áreas de diagnóstico, reabilitação e acolhimento.
O Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal-LP), na Asa Norte, recebeu reforma em espaços de diagnóstico, reabilitação e acolhimento que atendem pelo SUS. Conforme a direção da unidade, as obras foram realizadas com cerca de R$ 1 milhão em emenda parlamentar da senadora Leila Barros e envolveram troca de telhado, forro e piso, pintura, instalação de elevador e portas corta-fogo.
Reforma e investimentos
Segundo a direção do Ceal-LP, a intervenção contemplou áreas usadas no atendimento de bebês, crianças pequenas, idosos e familiares. Foram executadas ainda a retirada de infiltrações, adequações nas redes elétrica, hidráulica e lógica, instalação de escadas de incêndio e ajustes na recepção da clínica audiológica.
A direção informou que o recurso veio de emenda parlamentar da senadora Leila Barros e que o investimento reforça a estrutura física da unidade conveniada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que integra a rede de assistência do Governo do Distrito Federal (GDF).
Serviços oferecidos e público atendido
Especializado em reabilitação, o Ceal-LP presta, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), serviços de avaliação, diagnóstico, intervenção terapêutica, adaptação de aparelhos auditivos e acesso ao sistema de frequência modulada (FM), entre outros atendimentos.
A coordenação informou que o centro atende atualmente 420 crianças e oferece fonoterapia, psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia, neuropediatria, psiquiatria infantil, otorrinolaringologia e assistência social. No caso da deficiência auditiva, o acesso ocorre pelo Sistema de Regulação (Sisreg), após encaminhamento de médico otorrinolaringologista da rede pública.
Para reabilitação auditiva, deficiência intelectual e transtorno do espectro autista (TEA), o acesso ainda não está regulado pelo Sisreg. Nesses casos, a unidade de saúde em que o usuário é atendido encaminha o paciente ao Ceal-LP, que avalia o caso e orienta os próximos passos. Para o primeiro acesso, a família deve apresentar encaminhamento médico ou de especialista não médico da rede pública para entrada na lista de espera.
Impacto no atendimento e prioridade
A coordenadora, Maria Inês Serra, afirmou que a parceria com o poder público é decisiva para manter o atendimento às famílias. “Se a gente não tem a parceria do GDF, não consegue oferecer para essas famílias o que entende como diferencial na vida delas”, disse, citando a equipe multidisciplinar com fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, neuropediatria e psiquiatria infantil.
Maria Inês disse também que alguns espaços apresentavam limitações antes da reforma e que a situação mudou após as obras. A maior demanda hoje, segundo ela, está no atendimento a crianças com autismo, com fila de espera superior a mil crianças. A prioridade para intervenção terapêutica contempla crianças de 6 meses a 7 anos, período considerado estratégico para o desenvolvimento.
O diretor do Ceal-LP, padre José Rinaldi, afirmou que a reforma teve impacto direto no diagnóstico e no início da reabilitação. “No diagnóstico, passam bebês e idosos. Na reabilitação, os bebês e as famílias são acolhidos para começar um caminho de estímulo, terapia e mudança de vida”, disse.
O diretor ressaltou ainda que o cuidado com o ambiente influencia a forma como pacientes e familiares enfrentam o tratamento. “A reforma nos deu a possibilidade de oferecer ambientes bonitos e agradáveis a bebês e idosos em momentos importantes da vida deles”, afirmou. Segundo ele, com diagnóstico, aparelho adequado e acompanhamento, o idoso recebe nova qualidade de vida.
Exemplo de acompanhamento
Entre os casos atendidos pelo Ceal-LP está o de Lucas Vinícius Diniz, 22 anos, surdo desde o nascimento. Lucas começou a ser atendido ainda criança e hoje trabalha na instituição como auxiliar administrativo. Com apoio da família e acompanhamento especializado, desenvolveu comunicação oral, leitura labial e o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“Eu comecei aqui com uns 7 ou 8 anos. Tive o apoio dos meus pais e do padre, que me colocaram para ler. O primeiro livro foi O Pequeno Príncipe. Fui forçando a leitura labial”, afirmou Lucas, que usa implante coclear em um dos ouvidos.
Serviço
Ceal-LP (SGAN 909, módulo B, Asa Norte)
– Atendimento ambulatorial: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, exceto feriados.
– Informações sobre acesso ao serviço, documentos e andamento de solicitações: telefone (61) 3349-9944 ou presencialmente.
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