Palestra no Instituto Filippo Smaldone abordou combate à violência doméstica para alunos surdos e com deficiência auditiva.
A desembargadora Maria das Graças Pessôa Figueiredo, secretária executiva da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid/TJAM), ministrou na manhã desta sexta-feira (18/9) uma palestra sobre combate à violência doméstica e familiar contra a mulher para cerca de 50 alunos do Instituto Filippo Smaldone, na avenida Tókio, bairro Planalto, zona Centro-Oeste, em Manaus. A atividade integrou o Projeto Maria Vai à Escola e foi realizada com intérpretes de Libras e apoio do artista circense Cleciano Chagas.
Atividade e público
O encontro ocorreu na escola filantrópica católica, que atua há mais de 40 anos na educação especial voltada à inclusão, reabilitação e ao ensino bilíngue (Libras e Português) para crianças e adolescentes surdos ou com deficiência auditiva. Cerca de 50 pessoas acompanharam a palestra.
Para garantir acesso ao conteúdo, a equipe da Cevid contou com intérpretes de Libras — Jorge Silva, Gilmara Pinheiro, Cleydiane de Sá e Samara — integrantes da Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade (DIVIAS/TJAM). O artista Cleciano Chagas, conhecido como “Clé Clé”, participou estimulando a interação dos alunos.
Conteúdo e material distribuído
Ao final da palestra os estudantes receberam a cartilha “Perguntas e respostas sobre violência doméstica para jovens e adolescentes”, com 48 páginas e linguagem voltada ao público jovem. A cartilha é de autoria da desembargadora Graça Figueiredo, com coautoria do servidor Igor Reis, e tem sido distribuída em ações educativas realizadas pela magistrada em instituições de ensino da capital e do interior do Estado.
Relatos e orientações
Entre os alunos havia quem relatou ter presenciado agressões físicas do pai contra a mãe dentro de casa. Uma estudante disse não saber como agir quando presenciou a agressão. A desembargadora orientou que, dependendo do caso, é possível conversar com o agressor e mostrar que o ato é uma violência. “Em caso da criança ter receio com a reação do agressor, outra orientação é que o aluno relatasse a violência às professoras da escola para que sejam tomadas providências”, explicou.
Sobre a iniciativa, Graça Figueiredo afirmou: “Fiquei muito feliz em ministrar essa palestra e pudemos ver pelas perguntas que as crianças fizeram que existem as agressões presenciadas por elas e que elas não se conformam com isso. As principais dúvidas foram saber se isso é normal ou como se faz para denunciar. A Coordenadoria, as Varas Maria da Penha do Tribunal de Justiça e todos nós da rede de apoio estamos aqui para dar auxílio e ajuda para aquelas pessoas que se encontram nessa situação de violência dentro do lar”.
A magistrada também disse que o trabalho do Tribunal de Justiça do Amazonas junto às escolas visa formar multiplicadores contra a violência doméstica. “Agressões têm que ser denunciadas, e é preciso que as crianças e adolescentes sejam multiplicadores na luta contra a violência doméstica. Não se bate em ninguém, muito menos em mulher. Precisamos viver em paz e todos somos iguais e com direito ao respeito”, completou.
Repercussão na escola e próximos passos
A diretora pedagógica do Instituto, irmã Maria Damasceno, avaliou que a atividade terá impacto duradouro entre os alunos do 2º ao 9º ano. “Uma atividade como essa realizada hoje aqui na escola tem uma importância primordial para os nossos alunos de 2º ao 9º ano porque representa um aprendizado para que eles comecem a interiorizar a importância de não serem violentos dentro de casa e futuramente, quando constituírem suas famílias. O que eles estão aprendendo hoje será influência para o futuro deles”, afirmou.
O evento também incluiu encontro da desembargadora com pessoas da terceira idade que participam de projetos comunitários do Instituto.
Sobre o Instituto Filippo Smaldone
Instalado há 42 anos em Manaus, o Instituto Filippo Smaldone atua na educação, assistência e saúde de crianças e adolescentes surdos ou com deficiência auditiva. A instituição adota ensino bilíngue, com a Libras como primeira língua e o português como segunda, promovendo desenvolvimento educacional e inclusão.
Paulo André Nunes
Fotos: Rpahael Alves
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