Especialistas alertam para a necessidade de identificação precoce e acompanhamento do diabetes gestacional durante a gravidez.
No Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, especialistas destacam que o diabetes gestacional pode surgir durante a gravidez e, muitas vezes, sem sintomas. O diagnóstico costuma ser feito durante o pré-natal, por meio de exames de rotina, e o acompanhamento médico é fundamental para reduzir riscos para a mãe e para o bebê.
Diagnóstico e sinais
Em muitos casos, o problema é identificado nos exames do pré-natal. O diagnóstico pode ocorrer pela glicemia de jejum no primeiro trimestre ou entre a 24ª e a 28ª semana com o teste oral de tolerância à glicose, conhecido como curva glicêmica. Embora muitas gestantes não apresentem sinais, alguns sintomas possíveis incluem sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço intenso, visão embaçada, tonturas e inchaço.
É o que relata Ana Caroline da Silva, moradora do Pedregal, no Novo Gama (GO). Na quarta gestação, ela recebeu o diagnóstico aos sete meses. “Comecei a inchar muito e sentir tonturas. Procurei atendimento médico e, no exame da curva glicêmica, o resultado veio alterado”, diz Ana Caroline. Ela está internada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), referência no atendimento a gestantes de alto risco da região Sul do Distrito Federal e Entorno, e permanece sob cuidados da equipe médica enquanto se avalia a conduta adequada.
Causas e consequências
Segundo a ginecologista e obstetra do pré-natal de alto risco da unidade, Ana Carolina Ramiro, o diabetes gestacional decorre principalmente da ação de hormônios produzidos pela placenta, que aumentam a resistência à insulina durante a gestação. Conforme a especialista, o pâncreas precisa trabalhar mais para manter o equilíbrio da glicemia e, em algumas mulheres, essa compensação não é suficiente, provocando aumento do açúcar no sangue.
Ela alerta que manter níveis elevados de glicose durante a gestação pode comprometer a saúde de mãe e bebê. “Os bebês podem sofrer com a redução da oxigenação ainda dentro do útero. Em situações mais graves, há risco de morte fetal. Além disso, essas mulheres têm maior chance de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida”, explica Ana Carolina.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Algumas gestantes têm maior predisposição ao diabetes gestacional. Entre os fatores de risco estão idade materna avançada, excesso de peso, histórico familiar de diabetes, hipertensão na gravidez, síndrome dos ovários policísticos e gestação múltipla. Adotar hábitos saudáveis contribui para reduzir riscos. Conforme a obstetra, atividades como caminhada, hidroginástica ou dança são recomendadas. “Também é importante manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de açúcar, dormir bem, controlar o estresse e comparecer a todas as consultas do pré-natal”, orienta Ana Carolina.
Atendimento e encaminhamento
O ambulatório do HRSM, administrado pelo IgesDF, realiza atendimentos diários voltados ao pré-natal de alto risco. O acesso ao serviço começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que fazem as avaliações iniciais e os encaminhamentos para consultas e exames especializados. Depois, as solicitações são inseridas no Sistema de Regulação (Sisreg) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que organiza o acesso às vagas.
Segundo Ana Carolina Ramiro, o diabetes gestacional costuma regredir após o parto. Mesmo assim, essas mulheres devem manter acompanhamento médico no pós-parto, porque apresentam maior risco de desenvolver diabetes tipo 2. O seguimento pós-parto é fundamental para monitorar a glicemia e adotar medidas que contribuam para a manutenção da saúde da mãe.
Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
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