Projeto da Sejus-DF oferece aulas de defesa pessoal e tatame dedicado à população LGBTQIAPN+ no Guará II.
O projeto Vozes contra a Violência, desenvolvido pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF) por meio da Coordenadoria de Políticas de Proteção e Promoção de Direitos e Cidadania LGBT (CoorLGBT), em parceria com a Academia Newhit, oferece aulas gratuitas de defesa pessoal à população LGBTQIAPN+. As atividades ocorrem todos os sábados, a partir das 9h, na sede da academia, localizada na QE 21, Conjunto F, Casa 01, no Guará II, e já atenderam mais de 100 pessoas desde outubro do ano passado.
Funcionamento e público
Cada turma reúne cerca de dez participantes. No tatame, segundo a organização, os frequentadores encontram um espaço de acolhimento, aprendizado e fortalecimento pessoal. A Academia Newhit criou o que é descrito como o primeiro e único tatame LGBT do país, ambiente pensado para receber e capacitar pessoas LGBTQIAPN+ por meio do esporte e da defesa pessoal.
Entre os alunos está Rodrigo de Melo Holmes, de 43 anos. Ele afirma que o principal legado do projeto é a confiança adquirida dentro e fora das aulas. “No projeto, aprendemos que nem tudo é força, que muitas coisas são técnicas. Isso nos dá uma autoconfiança muito grande. Hoje consigo andar na rua com mais tranquilidade e menos medo. Foi isso que mais mudou na minha vida”, relata Rodrigo.
A experiência citada por Rodrigo é alinhada ao objetivo declarado pela iniciativa: oferecer ferramentas para que a população LGBTQIAPN+ se sinta mais preparada para lidar com situações de vulnerabilidade e violência, realidade que ainda afeta muitas pessoas em razão da discriminação e da intolerância.
Origem do projeto e formação
As aulas são ministradas por Francisco Mesquita Júnior, de 42 anos, treinador de boxe e de diversas modalidades de artes marciais, além de faixa-preta de jiu-jitsu há mais de 20 anos. Segundo Francisco, a ideia do tatame LGBT surgiu a partir de uma experiência familiar: após a irmã se declarar homossexual, ele passou a ensiná-la técnicas de defesa pessoal para situações de violência urbana.
Durante a pandemia, amigos LGBTQIAPN+ começaram a frequentar os treinos em sua casa e incentivaram a criação de um espaço próprio. Quando se tornou proprietário da academia, Francisco formalizou o projeto e instituiu o tatame exclusivo para esse público.
A iniciativa ampliou seu alcance a partir da parceria com a Sejus-DF, que incorporou o trabalho ao projeto Vozes contra a Violência. Com isso, foi possível aumentar o número de beneficiários e fortalecer uma ação que alia prevenção à violência, inclusão social e promoção dos direitos da população LGBTQIAPN+.
Avaliação institucional
Para o coordenador de Políticas de Proteção e Promoção de Direitos e Cidadania LGBT da Sejus-DF, Eduardo Fonseca, o projeto representa uma ferramenta de prevenção à violência e de fortalecimento da comunidade. “O Vozes contra a Violência vai além da prática esportiva. É uma ação que promove autonomia, autoestima e pertencimento”, afirmou o coordenador.
O secretário de Justiça e Cidadania interino, Jaime Santana, destacou que a ação reforça o compromisso da Sejus-DF com a promoção dos direitos humanos e o enfrentamento à discriminação. “Nosso compromisso é construir uma sociedade mais justa, inclusiva e segura para todos. O projeto Vozes contra a Violência demonstra como as políticas públicas podem transformar vidas”, declarou o secretário.
Com informações da Sejus-DF.
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