Sete filhotes foram destinados a famílias temporárias e 11 cães seguirão para treinamento especializado no centro do CBMDF.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) entregou nesta semana sete filhotes para socialização com famílias temporárias e encaminhou outros 11 cães para treinamento especializado no centro de treinamento da corporação. A iniciativa, retomada em agosto do ano passado, tem o objetivo de formar cães-guia para garantir autonomia e segurança a pessoas com deficiência visual.
Entrega e socialização
Os sete filhotes destinados à socialização são da raça golden retriever e nasceram do cruzamento de cães com aptidão para o trabalho. A “ninhada D” recebeu os nomes Duda, Delta, Dacota, Dora, Dom, Dante, Draco e Dexter. Agora, os animais vivem com famílias voluntárias na etapa de socialização, com duração de dez a 12 meses, considerada fundamental para a formação de cães-guia.
Segundo o capitão Jean Charles Meireles dos Santos, durante esse período os animais convivem em ambiente doméstico para desenvolver comportamentos básicos, adaptação a diferentes estímulos e obediência. “É o momento em que o cão sai de bebê até ficar adulto, mas numa vida normal, convivendo com a sociedade, indo e vindo aos lugares a que as pessoas vão”, afirmou.
Três labradores também estão em processo de socialização, com previsão de término em outubro deste ano.
Casos de famílias hospedeiras
A economista Júlia Conter, 50 anos, receberá um dos filhotes da ninhada D. Em fevereiro ela já havia acolhido a labradora Cora e, nesta semana, passou a socializar também a golden retriever Dora. Júlia relatou que as rotinas incluem levar os animais a supermercado, padaria, farmácia, escola e trabalho, e que as cachorras brincam o tempo todo em casa. “Elas serão os olhos de um cego. Vão ajudar a se movimentar melhor, caminhar na rua, tudo mesmo. Tenho certeza de que serão ótimas cães-guia”, disse.
Treinamento especializado
Os 11 cães que seguirão para treinamento especializado incluem sete pastores-alemães nascidos na corporação e quatro labradores recebidos por doação. Essa fase dura entre seis e oito meses e abrange comandos avançados, obediência, mobilidade urbana e identificação de riscos. Após essa etapa, os animais passam por adaptação com os futuros tutores.
“O cão vai aprender a conduzir alguém. Todo esse processo foca principalmente a condução segura. Ele é treinado para proteger o tutor, evitar que ele caia em um buraco, tropece em um obstáculo ou até mesmo colida com estruturas mais altas”, explicou o capitão Jean Charles Meireles dos Santos.
Desde a retomada do projeto, dois cães-guia foram entregues a pessoas com deficiência visual: os labradores Bento e Tom. O atleta paralímpico Leonardo Moreno, 41, recebeu Tom e afirmou que o animal é seu parceiro 24 horas. “O cão é preparado para reconhecer obstáculos baixos, médios [na altura da cintura] e aéreos [na altura da cabeça]. Com a bengala só consigo rastrear o obstáculo, correndo o risco de bater o rosto. O cão não deixa isso acontecer. É meu parceiro 24 horas”, relatou Leonardo.
Formação de profissionais e metodologia
Além da formação dos cães, o CBMDF qualifica profissionais: quatro militares estão em processo de capacitação para se tornarem treinadores e instrutores de cães-guia. “Cada um deles ficará responsável por acompanhar cerca de três cães. Todo esse treinamento é muito complexo e exige excelência. Um cão treinado de maneira errada pode colocar em risco a segurança de uma pessoa com deficiência visual”, esclareceu o major João Gilberto Silva Cavalcanti.
A metodologia aplicada tem origem canadense e foi aprendida por militares em intercâmbio internacional. Com a inauguração do centro de treinamento, o serviço passa a ser referência nacional na formação de cães de assistência. O espaço já prepara animais para auxiliar pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e pessoas com deficiência visual, além de promover inclusão social e bem-estar animal.
Seleção de famílias e apoio técnico
As famílias hospedeiras são escolhidas após processo seletivo que avalia o ambiente e o comprometimento de todos os integrantes da casa. Para assegurar o sucesso da socialização, as equipes do CBMDF oferecem orientação, acompanhamento técnico e custeio de despesas como alimentação e cuidados veterinários. Durante o processo, os tutores são identificados por meio do crachá e os cães, com o lenço.
Os animais são destinados a pessoas com deficiência visual com base em lista de espera. Após a entrega, a responsabilidade pelos cuidados passa a ser do usuário, com acompanhamento das equipes do CBMDF.
A norma que garante ingresso e permanência de cães-guia em veículos e estabelecimentos coletivos é a lei 11.126/05, regulamentada pelo decreto 5.904/2006, conhecida como Lei do Cão-Guia.
Interessados em se tornar família hospedeira devem entrar em contato pelo e-mail famíliahospedeira@gmail.com. Para participar da seleção para ter um cão-guia, solicite informações pelo e-mail cadastr…tonacional@projetocaoguia.com. Atualizações são divulgadas pelo Instagram @centrodetreinamentodecaescbmdf.
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