Rede pública do Distrito Federal passa a utilizar o teste de DNA-HPV para identificar 14 genótipos associados ao alto risco oncogênico.
A rede pública de saúde do Distrito Federal já opera com o novo teste de DNA-HPV, capaz de detectar 14 genótipos do papilomavírus humano associados ao alto risco oncogênico, e oferece o exame atualmente nas UBS das regiões administrativas de Brazlândia, Ceilândia e Sol Nascente/Pôr do Sol. A coleta é feita de forma semelhante ao exame de Papanicolau e o material segue para análise molecular por técnica de PCR no Lacen-DF, segundo a Secretaria de Saúde. A expansão do serviço para outras regiões ocorrerá gradualmente.
Ampliação e oferta nas unidades
O teste está disponível nas unidades básicas citadas e a Secretaria de Saúde informou que a cobertura será ampliada. A UBS 8 de Samambaia aparece como local de coleta em casos de rotina, onde pacientes têm realizado o exame durante atendimentos regulares.
Vantagens e implicações clínicas
A nova técnica apresenta maior sensibilidade diagnóstica em comparação ao exame citopatológico convencional, reduzindo a necessidade de avaliações complementares e intervenções sem indicação clínica. Quando o resultado é negativo, o intervalo entre as coletas pode ser ampliado, conforme protocolo vigente, o que fornece mais segurança e conforto às pacientes.
Letícia dos Santos, 42 anos, fez a coleta na UBS 8 de Samambaia e recebeu resultado negativo. “Agora, não vou precisar fazer o exame todo ano, vou poder fazer só daqui a cinco anos”, disse ela.
O enfermeiro Luiz Fabiano Barbosa afirmou: “A longo prazo, vejo que vamos conseguir detectar com mais rapidez e precisão os casos de câncer, o que vai permitir o início mais rápido do acompanhamento oncológico e o tratamento; é um grande avanço”.
Estratégia de enfrentamento
O teste de DNA-HPV integra a estratégia contra o câncer do colo do útero baseada em três pilares: vacinação, rastreamento organizado e tratamento oportuno das lesões precursoras. A meta mencionada pela Secretaria é atingir 90% de cobertura vacinal entre adolescentes até 2030 e garantir que 70% das mulheres entre 25 e 64 anos façam rastreamento periódico.
Simone Lacerda, gerente de Apoio à Saúde da Família da SES-DF, afirmou que “com o teste de DNA-HPV, os protocolos de rastreamento tornam-se mais objetivos, organizados e padronizados, facilitando a compreensão tanto pelas usuárias quanto pelos profissionais de saúde”. Ela destacou ainda que o conjunto de ações busca a eliminação da doença por meio da prevenção e detecção precoce.
A gerente explicou que o exame citopatológico convencional, apesar de ter sido fundamental ao longo dos anos, frequentemente gerava dúvidas sobre periodicidade, o que levava muitas mulheres a repetir o procedimento anualmente sem indicação clínica.
Fluxo do exame e condutas
A coleta do material é semelhante ao Papanicolau. O material é enviado ao Lacen-DF para análise por PCR. Quando há detecção de HPV 16 ou HPV 18, associados ao maior risco oncogênico, a paciente é encaminhada para colposcopia.
Se o resultado for negativo, a recomendação é repetir o exame após cinco anos, conforme o protocolo vigente. Quando é identificado outro tipo de HPV, a mesma amostra é usada para realização de citologia.
Após a liberação dos resultados, as equipes da Atenção Primária à Saúde ficam responsáveis pelo acompanhamento das pacientes, pelas orientações e pelos encaminhamentos necessários, de acordo com cada caso.
Com informações da Secretaria de Saúde.
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