A medida oficializa sinais pessoais em Língua Brasileira de Sinais para identificar desembargadores nas atividades do TJAM.
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) oficializou, nesta terça-feira (9/6), a utilização de sinais pessoais em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para identificar os desembargadores que atuam na Corte. A identificação passa a integrar sessões, eventos institucionais e transmissões do Poder Judiciário do Amazonas que contem com a presença de magistrados de 2.° grau.
Vídeo e impacto
A apresentação dos sinais foi feita antes da sessão do Tribunal Pleno e conduzida pela presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJAM, desembargadora Onilza Abreu Gerth. Foi exibido um vídeo produzido em parceria pela Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade (DVIAS) e pela Assessoria de Comunicação Social (ACS), que mostra a identificação visual de cada magistrado da Corte.
Segundo a desembargadora Onilza Abreu Gerth, a iniciativa busca facilitar a comunicação com a comunidade surda e está alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça e à Lei Brasileira de Inclusão. “Apresentamos hoje os sinais em Libras identificando cada magistrada e magistrado da Corte. Isso vai facilitar o nosso trabalho e será utilizado nas sessões, nos eventos e nos canais oficiais do Tribunal”, afirmou.
O presidente do TJAM, desembargador Jomar Fernandes, afirmou que a medida integra os esforços contínuos da instituição para ampliar a acessibilidade do Judiciário. “Seguimos as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça e avançamos ao criar a identificação em Libras para os 26 desembargadores que compõem esta Corte”, disse.
As desembargadoras e desembargadores que atuaram na apresentação também destacaram caráter inovador e o valor social da ação. A desembargadora Carla Reis classificou a proposta como moderna e alinhada à necessidade de avançar na inclusão. Para o desembargador Ayrton Gentil, a adoção dos sinais é um instrumento de integração social e melhora o acompanhamento de julgamentos, presencialmente ou à distância.
Identificação linguística e cultural
A equipe de intérpretes de Libras da DVIAS — Cleydiane Cardeal, Gilmara Pinheiro e Juliana Martins — explicou que, na Língua Brasileira de Sinais, o sinal pessoal funciona como um nome próprio visual. A atribuição dos sinais foi feita por integrantes da comunidade surda com formação acadêmica em Letras-Libras e considera características marcantes, traços de personalidade ou comportamentos socialmente reconhecidos.
Segundo a intérprete Juliana Martins, a identificação por sinais torna a interpretação mais dinâmica. “Sem o sinal, é necessário soletrar o nome completo utilizando o alfabeto manual sempre que a pessoa for mencionada. Com a identificação em Libras, conseguimos transmitir a informação de forma mais rápida, clara e eficiente”, explicou.
Participaram também do projeto os intérpretes de Libras Jorge Ribeiro, Angélica Barbosa e Ângelo Brandão.
Com a oficialização dos sinais pessoais, o TJAM afirma reforçar seu compromisso com a acessibilidade comunicacional, a valorização da cultura surda e a construção de um Judiciário mais inclusivo e próximo da sociedade.
Fotos: Chico Batata. Texto: Sandra Bezerra.
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